domingo, 14 de dezembro de 2008

Por que continuar?

Uma das exigências relativas ao candidato à iniciação na Maçonaria é a higidez física que lhe permita desempenhar corretamente em loja. Pois bem, neste momento vejo-me fisicamente impossibilitado de desempenhar a função essencial e mais importante na maçonaria atualmente: o copo d'água...

Uma disfunção da válvula cárdia produziu o chamado megaesôfago, uma dilatação do esôfago provocada pela dificuldade da passagem do alimento para o estômago. A digestão começa a ser realizada pela saliva no esôfago e, conseqüentemente, o vômito é inevitável...

Essa já seria, por si, uma razão de suma importância para justificar minha saída da Ordem. Mas, outras considerações devem ser feitas.

A meu ver, uma Loja Maçônica tem diversas funções dentro da Ordem.

  1. Assegurar a perenidade da Maçonaria, através da preservação dos rituais e da pedagogia ministrada em loja, visando transmitir os conhecimentos maçônicos.
  2. Assegurar, através da iniciação dos líderes da sociedade, que os princípios maçônicos sejam aplicados ao governo da sociedade
  3. Criar uma rede de líderes que possam se mobilizar em torno de problemas sérios e influenciar a condução da política na sociedade.
  4. Agir em defesa dos injustiçados, dos oprimidos e dos pobres, visando assegurar os direitos humanos de segurança jurídica, segurança alimentar, segurança educacional

Ora...

Em cidades pequenas, onde todos os habitantes estão sujeitos ao mesmo ambiente socio-econômico-religioso, as Lojas têm uma atuação relativamente satisfatória e, na medida do possível, consegue realizar os quatro objetivos elencados acima.

Como todos os membros fazem parte da mesma comunidade, são igualmente afetados pelas mesmas condições e tendem a conseguir o grau de galvanização necessário para atacar os problemas e resolvê-los.

Mas, nas cidades médias e grandes o desempenho é sofrível e, quando muito as lojas se limitam a realizar o primeiro objetivo, também na medida do possível. As lojas tornaram-se heterogêneas demais, os candidatos são escolhidos independentemente do seu local de residência ou de trabalho estar dentro de um perímetro determinado, ao qual pertença a maioria dos membros da loja. O resultado é a paralisia e dificuldades para a realização dos outros três objetivos.

O aspecto liderança não é considerado essencial no candidato, levando à iniciação de pessoas absolutamente medíocres, cuja única qualidade é "serem boazinhas"... pessoas intelectualmente limitadas que não têm a mínima condição de produzir um trabalho inteligível, que não exercem qualquer liderança em seu meio, mas que são "empurradas" escada acima... 

No interior, a maçonaria elege prefeito, vereadores; dirige o Rotary; dirige asilos e hospitais, enfim... os maçons dirigem a cidade...

Nas grandes cidades, nem sequer conseguimos um empreguinho para um irmão ou sobrinho; não conseguimos vagas em hospitais para nossos familiares, não estamos presentes na direção de qualquer entidade importante, pública ou privada; não influenciamos a política, somos um zero à esquerda... porque nossos critérios de seleção visam um perfil muito modesto.

Muitas vezes ouvimos, com relação aos políticos, que cada nação tem os governantes que merece. Com a maçonaria acontece a mesma coisa. A mesma falta de grandeza e de eficiência administrativa da Ordem é refletida nas equipes dirigentes em nível estadual e nacional.

Em nível nacional, a Ordem não tem a mínima visibilidade. Em Brasília, não temos representantes acreditados junto ao governo federal, que poderiam participar, no mínimo, como lobistas junto ao governo federal. É lamentável a notícia de que o Duque de Kent, o Grão-Mestre da Maçonaria Inglesa (alma mater da maçonaria brasileira) ficou extremamente admirado por não haver um representante sequer da Maçonaria Brasileira na recepção a ele oferecida no Itamaraty. Isto é sintomático...

Outra coisa.

O Cadastro de irmãos existente nos GGOOEE é um tesouro de informações que bem administrado nos permitiria realizar um trabalho absolutamente maravilhoso. Mas, não existem cérebros capazes de utilizá-lo. Limitam-se a usar como mala-direta para a venda de livros e serviços...

Já tive a oportunidade de expor a um GME um projeto de utilização do cadastro que daria nova vida à Maçonaria, não só com os membros atuais, mas atrairia certamente um fluxo importante e necessário de novos interessados pela Ordem.

O Cadastro é o que se chama em Tecnologia da Informação, um banco de talentos. Nele sabemos a profissão de cada membro, seu endereço residencial e profissional. Estas são duas informações importantes.

Caso os Grandes Orientes Estaduais, ou mesmo o Grande Oriente do Brasil, tivessem oficiais competentes realmente dedicados à consecução dos objetivos da Ordem e à realização de campanhas de beneficência, estes oficiais poderiam:

  1. Definir quatro grandes campanhas por ano: equinócio de outono, solstício de inverno, equinócio da primavera e solstício de verão, onde realizariam campanhas, por exemplo, e material escolar, de agasalho, de natal (oferecer aos despossuídos a possibilidade de celebrar um natal com a barriga cheia, como qualquer outra pessoa...)

  2. Realizar mutirões de atendimento jurídico, saúde, dentário, etc.

  3. Mobilizar recursos humanos e materiais em casos de calamidade pública...

  4. Cooperar com a Defesa Civil...

  5. Influenciar em campanhas cívicas, por exemplo, laicidade, aborto, células tronco...

Vejamos um exemplo:

Tomemos um oriente como São Paulo, onde deve haver cerca de 15.000 membros ativos. Imaginemos que o Grande Oriente São Paulo decidisse realizar uma campanha de atendimento de segurança alimentar, ou seja, distribuição de alimentos a famílias carentes através de lojas em diferentes orientes municipais.

Se considerarmos que uma cesta básica mais simples pesa 15 quilos e se apenas 80% dos irmãos viessem a cumprir com suas obrigações maçônicas, seria possível coletar 180 toneladas de alimentos... 180 toneladas que poderiam ser distribuídas às comunidades carentes nos 500 municípios paulistas. 

Isso se consideramos que cada irmão fosse contribuir com apenas uma cesta. Se considerarmos que uma cesta custa apenas R$ 40,00, se algum irmão não puder contribuir, ele deve apresentar sua demissão imediatamente, porque certamente não tem condição de ser membro de uma loja maçônica. 

O mapeamento profissional do Cadastro permitiria acionar irmãos em emergências médicas, jurídicas, dentárias. Permitiria atender a apelos de irmãos em dificuldade. Viabilizar atendimentos em hospitais, conseguir transporte de pessoas e coisas, enfim, todo o universo onde irmãos atuem poderia ser operacionalizado em função da realização de um trabalho efetivo de ação social e por que não dizer, política.

Os irmãos poderiam ser instados a se manifestar maciçamente  junto aos seus representantes no congresso sobre assuntos de interesse social, oferecendo aos membros da ordem um sentido mínimo para sua atuação em prol da humanidade.

Mas, em uma demonstração da pequenez da mentalidade vigente, nossos dirigentes preocupam-se em celebrar convênios com padarias, hotéis, farmácias, agências de turismo, companhias aéreas, carrinhos de sorvete, vendedores de cachorro-quente, etc. como se fôssemos um sindicato de trabalhadores que precisam de paternalismo.

É verdade que existem irmãos que inadimplem cotizações de loja ridiculamente pequenas, o que também depõem contra a Ordem. Não pela inadimplência, mas pela incapacidade financeira. Também resultado da escolha defeituosa de candidatos.

Aspectos financeiros são outro caso.

Uma loja é uma unidade econômica que tem um fluxo de caixa e que visa um objetivo (espera-se).

Há objetivos e objetivos... A maioria limita-se a cumprir o primeiro objetivo da loja (perpetuar a Maçonaria) como um gerador que gera energia suficiente apenas para fazer funcionar um motor que produz rotação para fazer girar o gerador que gera energia para fazê-lo funcionar... e assim por diante. Um moto contínuo.

Outras transformaram a loja em capela maçônica, e a maçonaria em religião e dedicam-se a louvar ao deus de Abraão travestido em Grande Arquiteto do Universo. Apenas dão um novo nome à mesma crença.  Esquecem-se de que a maçonaria deve se manter equidistante de todas as religiões, justamente para assegurar um ambiente de harmonia e concórdia.

Outras lojas dedicam-se à acumulação de capital.

Poucas, em sua maioria no interior, conseguem realizar os quatro objetivos citados acima.

Um exemplo:

A loja mais rica do estado de São Paulo, e conseqüentemente, do Brasil (que não vou citar o nome, por razões óbvias...) é proprietária de prédios inteiros de escritório e garagens no centro de São Paulo e tem uma receita anual aproximada da ordem de (pasmem), R$1.200.000,00. Isso, UM MILHÃO E DUZENTOS MIL REAIS.

A loja deve ter 40 membros, dos quais 20 em idade tão avançada que não podem comparecer aos trabalhos; seu templo principal, de mais de 400 m² é maior e mais luxuoso que o templo central do GOSP. Suas instalações administrativas são mais amplas e mais bem equipadas que o GOSP. A biblioteca é maior que a do GOSP. A sala úmida da loja tem 500 m², pé direito de 12 metros, piso de porcelanato, equipada com cozinha completa digna de um restaurante.

E quanto a loja gasta em beneficência por ano?

R$ 5.000,00. Isso. CINCO MIL REAIS comprando alguns legumes e carne de segunda para doar à Federação Espírita que faz um sopão para os mendigos do centro da cidade.

CINCO MIL REAIS ANUAIS!!! De uma receita anual de um milhão e duzentos. Todo o dinheiro vai para acumulação e compra de novos imóveis e reforma dos imóveis existentes que por sua vez aumentam os rendimentos...

E, como ela, centenas de lojas estão mais preocupadas em construir templo próprio do que elaborar um programa de atendimento aos carentes de sua comunidade, influenciar politicamente o governo de sua comunidade, promover cursos para melhorar o nível dos seus membros, etc.

Estive fazendo umas contas. Classifico cada tostão gasto e tenho um relatório detalhado de todos os gastos por categoria. (Microsoft Money)

Descobri que gasto cerca de R$ 2.700,00 por ano, considerando a cotização, copo d'água, eventualidades, tronco, jantares, etc. (este ano provavelmente um pouco mais...) Vamos arredondar para R$ 3.000,00 por ano.

Nossa loja realizou um evento (feijoada beneficente) para arrecadar fundos para ajudar um grupo de equoterapia que dá atendimento a menores carentes. Em anos anteriores ajudamos à ABADOC, uma ONG de um irmão que ajuda doentes com câncer.

Foi um esforço enorme. No final conseguimos arrecadar R$ 3.000,00.

Pensei. A loja tem 30 membros ativos que devem ter gasto mais ou menos o mesmo que eu. Isso significa que o fluxo de caixa da loja será de cerca de R$ 90.000,00 a R$ 100.000,00 por ano.

A Hospitalaria realizou algumas ações no exercício. Algo em torno de R$ 2.000,00 que somados aos 3.000,00 da Equoterapia representam a produção útil da loja. Ou seja, uma empresa que produz míseros 5% de lucro... é uma empresa falida.

O valor corresponde a R$ 14,00 da mensalidade...  Se compararmos aos ingleses, por exemplo, onde a beneficiência maçônica é, obrigatoriamente, feita com recursos próprios DOS IRMÃOS, e monta a milhões de libras anuais, vemos que estamos muito, mas muito distantes do ideal.

Mas, o GOSP e o GOB estão satisfeitos com a arrecadação da capitação; o pecúlio está satisfeito, o Seu Higino (dono do imóvel) está satisfeito, o tesoureiro está satisfeito...

Eu não estou satisfeito. Não estou aprendendo nada. Não estou realizando coisa alguma. E isso incomoda.

Certa vez ouvi uma história com relação à Swissair. Um funcionário da companhia aérea contava: no ano 2500, quando os arqueólogos desenterrassem a sede da Swissair em Zurich, uma grande polêmica se instauraria no meio científico para responder à pergunta:

- Por que uma fábrica de papel precisava de tantos aviões?

O mesmo se aplica, mutatis mutandis, à Maçonaria.

- Por que uma seguradora precisava reunir seus segurados semanalmente?

Sim, porque no frigir dos ovos, o que resta é a perspectiva do pagamento do "vultuoso" pecúlio de R$ 35.000,00 à viúva (dá para pagar um enterro de primeira classe, mas não representa alívio financeiro ou garante a subsistência da pobrezinha).

A pergunta é:

Qual seria o montante pago de um seguro de vida em grupo comprado com um prêmio de R$ 3.000,00 anuais?

Ou

Não seria mais lógico para mim doar pessoalmente 75 cestas básicas no final do ano ou fazer uma doação de R$ 3.000 a uma instituição beneficente?  No frigir dos ovos, os esforços de 30 membros da loja representam o valor da contribuição de dois irmãos apenas...

E estas perguntas ficam martelando dentro de minha cabeça. Continuamente.

Ora, direis: "Estás desconsiderando a convivência com os irmãos de tua loja."

Vero. Este é um aspecto importantíssimo. 

Mas, já que estamos abrindo o coração, devo confessar que somente conheço a casa de dois deles  (sendo que um dos dois deixou a loja pouco depois da iniciação, decepcionado com a falta de discussão de assuntos importantes). E que somente eles e um outro irmão concederam-me a subida honra de visitar minha casa. E não foi por falta de convite.

Somos 30 membros da minha loja atual. 

Será que o meu é também o caso sobre qual ouvi irmãos de muitas outras lojas se queixarem:

Bom para ser "irmão", mas não bom o suficiente para ser amigo.


 

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sepultamento Paulo de Tarso

 

Dois sepultamentos. Duas impressões. Uma conclusão.

O primeiro, em 1957, quando eu tinha nove anos de idade e quando decidi entrar para a Ordem: o falecimento de meu tio-avô Afonso.

O cortejo foi acompanhado por uma centena de maçons paramentados, de todos os graus do REAA, com dezenas de estandartes de loja...

Meu tio-avô, um barbeiro como meu pai, na urna, paramentado como mestre-instalado, sem a presença de qualquer padre (a pedido seu no leito de morte...)

Tudo isso em uma cidade que na época não devia ter mais de cinco mil habitantes... Os maçons vieram de toda a região, principalmente de Poços de Caldas onde se situava a loja de meu tio-avô. 

O segundo, em 2008, cinqüenta anos depois: o falecimento de Paulo de Tarso Liberalesso.

Doze gatos pingados, entre os quais três ou quatro que lá estavam por dever de ofício, participaram do ato maçônico de homenagem ao falecido.

PTL, na urna, paramentado como mestre instalado, e ao seu lado um padre idiota falando aquelas bobagens, cantando hinos de saudação a nossa senhora aparecida, tecendo loas pasteurizadas e fazendo propaganda de sua paróquia...

Tudo isso em uma cidade que tem vinte milhões de habitantes... e alguns milhares de maçons. Nem mesmo os irmãos da loja do falecido lá estavam...

Mudaram os tempos, ou mudou a maçonaria?

Será que Paulo de Tarso foi tão ruim em vida? Foi um mau maçom? Foi um irmão relapso? Será que todas as homenagens e elogios a ele dirigidos em vida não correspondiam realmente a uma intenção honesta e bem intencionada daqueles que as faziam? Será que um membro da administração do Grande Oriente do Brasil não merecia uma presença menos anêmica? 

Certamente, a esposa dele, seu pai e sua mãe que lá estavam devem ter uma imagem bastante decepcionante da Ordem. Como sempre, bom para ser irmão, mas não suficientemente bom para ser amigo. 

Confesso que este fato só fez aumentar o meu grau de descrença no futuro da maçonaria, ou melhor em meu futuro na maçonaria. Depois dos episódios das campanhas eleitorais estaduais e federais do GOB, os pés de barro começam a se desmantelar e a verdadeira face da maçonaria contemporânea começa a aparecer. Uma religião fracassada na política, um fracasso na beneficência e, para coroar, um fracasso no networking....


 

Lamentável!


 


 


 

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

SUGESTÃO AO BERLUSCONI


 

Hoje acordei internacional. Deve ser influência dessa crise econômica.

Mas, já que não tenho no momento nenhuma sugestão a fazer ao FMI, ao FED, ao Paulson, et caterva... e já que por aqui temos o Lula e, considerando que ele tem tudo sob controle no país, resolvi dar uma ajuda ao Berlusconi, coitadinho, que não tem a mesma capacidade que o nosso presidente.

Por isso, resolvi escrever a ele a carta abaixo, em Portuliano, com uma sugestão para a solução do problema do lixo em Napoles e outras cidades da Itália.


 

Só espero que ele consiga entender o meu italiano. Lembro-me, certa vez, quando tentei fazer uma reserva de hotel por telefone, o italiano do outro lado respondeu: "scusi, signore, ma io no parlo spagnol"...


 

[Papel timbrado]


 


 

San Paolo, Ottobre 9, 2008

Dottore Silvio Berlusconi

Presidenza del Consiglio dei Ministri

Piazza Colonna , 370

00187 ROMA - ITÁLIA

Rif. Dossier: SMALTIMENTO RIFIUTI UTILIZZANDO I VULCANI ETNA E STROMBOLI


Signor Primo Ministro.


Sono un italiano nato in Brasile. Sono 60 anni, e amo l'Italia. Ho seguito con grande interesse tutto quello che succede in Italia dalla RAI, Internet, e la stampa.


In particolare, ha attirato la mia attenzione il problema della spazzatura a Napoli, e la notizia che i rifiuti sono trasportati in treno in Germania per essere bruciati entro le norme dell'Unione europea.


Mi sembra, signor Primo Ministro, che i tecnici italiani non sono "pensare al di fuori della scatola", in quanto non vi è una soluzione molto più semplice a portata di mano e che potrebbe essere l'uscita per il trattamento dei rifiuti provenienti da tutta Italia.


Ciò richiederebbe, naturalmente, di coraggio e di alcuni investimenti, ma in quantità perfettamente fattibile per il governo italiano e, naturalmente, non vorrei proporre questa idea ad un altro governo che non ha avuto il profilo del suo governo, vale a dire un atteggiamento proattivo imprenditoriale per risolvere i maggiori problemi del paese.


Bene. Questa è l'idea:


Il rifiuti italiani sonno bruciate a Brema, dopo un lungo viaggio in treno, che ha un costo elevato. Questo è molto derisive per la capacità di Itália risolvere i propri problemi. Lo smaltimento dei rifiuti è un problema più grave in tutte le comunità del paese e in ogni paese del mondo.


La questione che domanda una risposta è: Perché i rifiuti non può essere bruciato in vulcani come Etna e Stromboli? Essi sono vulcani attivi, vale a dire enormi forni con capacità di masterizzare tutti i rifiuti d'Europa. I refiutti sarebbe vaporizzato dalla lava, senza la produzione di qualsiasi emissione di fumo più dannosi rispetto a quella prodotta dal vulcano.


Ciò richiederebbe solo il coraggio di affrontare le urla degli ecologisti, ma questo coraggio sembra essere una delle vostri qualità principali, signor Primo Ministro.


Esso deve essere considerato:


  1. la situazione dei rifiutti è particolarmente critica nel sud Italia, e sia la Stromboli e l'Etna si trovano circa 200 km dal centro della Calabria, e ci sono molti collegamenti ferroviarie a nord d'Italia. Sono meno di 400 km da Napoli.

  2. Non vi è collegamento marittimo già da diversi punti di Scari Italia e Catania.

INVESTIMENTI:


In Stromboli sarebbe necessario distribuire un termo-elettrici impianto per la produzione di energia che alimentano il trasporto di rifiuti al cratere per mezzo di una cintura, funivia o funicolare. Il porto di Scari si domanda per essere adattato per l'atterraggio automatico di rifiuti direttamente al nastro trasportatore nel cratere, o agli impianti per la selezione del materiale riciclabile ad essere installato su tutta l'isola.


Tuttavia, con la grande quantità di calore dal vulcano e l'acqua del Mediterraneo, non vi è alcun problema per la produzione di energia elettrica. Inoltre, la termo-elettrica impianto non deve essere troppo grande, e permetterebbe di produrre energia per le abitazioni esistenti sull'isola.


Lo stesso vale per l'Etna.


In entrambi i casi, sarebbe necessario un investimento per il trasporto di rifiuti sui treni e battelli.


OPERATIVO:


Alcune possibilità deve essere presa in considerazione:


  1. I rifiuti potrebbero essere selezionati a livello locale nella comunità con lo sfruttamento di tutti i materiali riciclabili che la comunità, opure particolari potrebbe vendere e generare valore di mercato. Le non-riciclabile materiali sarebbe trasmessi per l'incenerimento in vulcani. Che ridurrebbero il volume del materiale trasportato, e consentire un approccio più ecologico nello spirito del Decreto Ronchi.

  2. Gli rifiutti sarebbe trasportati a Scari o Catania, dove piante sarebbe installate per la selezione manuale / semi-automatica dei rifiuti riciclabili. Un grande vantaggio sarebbe la generazione di posti di lavoro in aree svantaggiate, evitando la migrazione verso il Nord.

  3. Dopo la raccolta manuale dei materiali riciclabili, la spazzatura sarebbe trasportati da cinture automatiche o contenitori, lanciati nel cratere di vulcani e vaporizzati.

Tutto questo investimento avrebbe un rendimento garantito, se scalata a una maggiore capacità di produzione di rifiuti da Italia, dal momento che potrebbe essere una soluzione per il problema della spazzatura di altri paesi europei.


Spero che questo suggerimento è di qualche valore.


Cordiali saluti,


Jose A.S. F.


São Paulo.


Brasile

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

ELEIÇÕES

Estas eleições estão sendo muito produtivas para mim. E não estou falando só da eleição americana que está produzindo altos níveis de serotonina cada vez que vejo a cara de bunda do Bush. (Ainda mais agora, com a crise econômica em que ele é colocado diante de sua incompetência absoluta, com entrada no panteão da história como o pior presidente que os Coitados Unidos tiveram...)


Estou falando da eleição municipal. Prefeito, vereadores... Ela forçou-me a uma reflexão profunda sobre a dinâmica do poder legislativo e sobre o exercício racional do voto.


Depois de votar durante quarenta anos, descobri o caminho. Acho que se não fosse tão preguiçoso eu deveria escrever um livro sobre minhas conclusões. Mas, como não dá para escrever um livro, eu escrevo este testículo e dá no mesmo. Ou seja, ninguém vai ler mesmo...


Para mim não existe candidato a vereador que preste. Todos serão engolidos pela máquina e suas qualidades individuais serão simplesmente anuladas. Serão reduzidos a massa de manobra, queiram ou não queiram.


Concluí que nem mesmo eu, um cara super-consciente, bem-intencionado, politizado, educado e honesto sou um bom candidato a vereador em São Paulo.


Isso porque o processo político interno da Câmara condenará o vereador a duas posições possíveis: ou ele se enquadra e joga pelas regras do jogo, ou passará seu mandato todo paralisado e, ao final, sairá da legislatura com cara de tacho, como incompetente, não tendo emplacado nenhum projeto de lei de sua autoria – que é o que todos esperam do vereador.


É claro que os leigos não fazem idéia das dificuldades de tal empreitada e do ambiente de balcão de negócios da Câmara.


Por um lado existe a dificuldade de se encontrar motivações para projetos que sejam suficientemente abrangentes para atender ao interesse de toda a cidade, em uma metrópole altamente diversificada.


Por outro, aí é que a porca torce o rabo, existe um esquema de toma-lá-dá-cá na câmara que efetivamente impede que os bons vereadores tenham uma atuação eficiente.


A coisa funciona assim: O vereador tem uma idéia brilhante, que vai salvar a cidade e beneficiar todo mundo. Para apresentar o projeto à comissão de justiça, para que seja avaliada a viabilidade do projeto, o vereador precisa de certo número de assinaturas de seus pares. 


É claro que ele vai conseguir as assinaturas – principalmente das raposas e cobras criadas da câmara. E estas raposas e cobras criadas logo anotam no caderninho que assinaram ao projeto do novato. O projeto vai a plenário, pode ou não ser aprovado, dependendo da habilidade do novato (a esta altura ainda mínima). 


Mas, as cobras criadas, na primeira oportunidade, vão criar um projeto bem lesivo aos interesses públicos, que favorecerá empreiteiras ou o secovi (os verdadeiros donos da cidade de São Paulo), e virão até o novato cobrar a assinatura que colocaram no seu projeto. E ele não vai poder se recusar, apesar de ver que o projeto é ruim. Se ele se recusar, estará condenado a nunca mais emplacar projeto algum. Se assinar, vai ficar marcado para sempre e terá sua integridade manchada.


Assim, a possibilidade de ficar no caderninho dos ladrões e aproveitadores paralisa o novato e ele termina a legislatura como incompetente e omisso.


Chego à conclusão que a tripartição dos poderes não mais funciona e que temos de modificar a atuação dos corpos legislativos. Ainda que isso não seja feito na letra da lei, atuar politicamente para transformar a Câmara dos Vereadores em um apêndice do Executivo.


Isso seria possível se os eleitores, ao votar no prefeito de sua preferência, votasse sempre na legenda do candidato, de forma a aumentar o número de vereadores do mesmo partido que o chefe do executivo e, assim, garantir a aprovação de projetos originários do gabinete do prefeito.

Este é o princípio do parlamentarismo, onde o chefe do executivo é o líder da maior bancada do legislativo.


Não tem sentido votarmos em candidatos amigos, parentes, bons-moços, etc. se eles não estiverem alinhados com o prefeito. É jogar voto fora...


Por isso, este ano vou votar no meu candidato a prefeito e em sua legenda, assegurando que a bancada dele na câmara lhe assegure a aprovação dos projetos do executivo.


domingo, 31 de agosto de 2008

Plantão Médico

Grandes progressos...


 

Depois de passar por quatro médicos gastroenterologistas sem sucesso, decidi receitar-me um remédio e um tratamento.

Pesquisei na Web a minha disfunção gástrica e localizei os medicamentos disponíveis para este tipo de achaque. Basicamente existem duas linhas que operam de maneira mais ou menos semelhante. Ambas inibem a formação de suco gástrico e reduzem a acidez estomacal.

Um deles pertence à categoria chamada de bomba de prótons e é a família Prazol (omeprazol, pantoprazol, etc.). O outro pertence à categoria H2 e é a família Cimeti (cimetina, cimetidina, tagamet, etc.)

A família Prazol é um medicamento mais moderno e vem sendo receitado pelos gastros nos últimos anos, ao passo que a família cimeti é um remédio antigo.

Bem, meus médicos receitaram a família Prazol e me submeti a 60 dias de tratamento com este medicamento, sem o menor sucesso. Era como se tomasse placebo.

Curioso é que os médicos simplesmente desistiram diante do insucesso do tratamento e limitaram-se a recomendar mudança de hábitos alimentares, elevação da cabeceira da cama, estas providências paliativas. Geralmente, quando um medicamento não funciona, eles tentam um outro remédio e outro e outro até acertar. No meu caso não. Deve ser porque são médicos de convênio...

Ou, provavelmente, meu estômago é antigo e não se adapta a medicamentos modernos.

O caso é que eu receitei-me um medicamento da família da Cimeti, a Cimetina, combinada com Motilium (que o Dr. Gabriel havia receitado), e parece estar funcionando.

Não quero gabar a égua, mas utilizando este remédio, combinado com sal de frutas depois da refeição, estou bem.

Vamos ver até quando dura.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Ultima forma...

Acho que vou trocar o nome do blog para Prontuário Médico Virtual... Pelo menos enquanto tiver como tema principal os meus achaques de matusalém...

Enquanto isso não acontece, vou narrando a lenta decadência do meu invólucro físico. Já contei o episódio da minha internação na UTI por conta de uma crise hepática e também já contei a saga da remoção da vesícula. E agora vou acrescentar mais alguns detalhes ao meu prontuário.

No dia 17 de Julho de 2007, eu estava jantando no Ratanesca, a pizzaria onde nos reunimos depois da reunião de minha loja maçônica. Era uma ocasião festiva. O irmão Luciano havia proferido uma palestra sobre o 9 de julho. O irmão Luciano, devido à sua idade, não conta histórias, ele foi testemunha dela, ou então ouviu os fatos diretamente das personagens envolvidas naquele movimento revolucionário. Ele contou detalhes pitorescos que não encontram lugar nos livros de história, mas de maneira geral foi uma palestra interessante para quem se interessa por história.

Tenho uma qualidade, ou um defeito, de absorver energias negativas quando me exponho a um ambiente carregado, e talvez na platéia da palestra houvesse pessoas que lá estavam a contragosto, ou coisa parecida, e eu me senti afetado, como, aliás, já acontecera no passado nas mesmas circunstâncias.

Mas, resumindo, lá na Ratanesca eu senti, pela primeira vez, um espasmo no diafragma ou no esôfago que travou a deglutição e eu me vi engasgado com a pizza. Nada subia nada descia, não ia para o lado, nem para o outro. Depois de muito esforço, consegui devolver a pizza. Foi triste...

A partir deste dia, meu diafragma criou vida própria e passou a decidir SE eu devo comer, ou O QUE eu devo comer. Se não está de acordo com o cardápio, o diafragma grita, como La Passionaria da Guerra Civil espanhola: “no passarán...” e fecha a válvula de entrada do estômago. Se eu insisto em comer, ele fica fechado e, a certa altura, devolve o que tiver sido ingerido sem autorização.

Além disso, passei a ter refluxo violento, combinado com dores de estômago atrozes...Pensei logo. Ferrou. Câncer de estômago. E procurei um gastro.A anamnese do Dr. Marcio indicava que ele tinha a mesma impressão. E mandou fazer uma endoscopia gástrica.
Exame feito. Nenhuma anormalidade. Nem mesmo hérnia de hiato. Ligeira gastrite. Só.

Foi um alívio. O Dr. Marcio prescreveu um tratamento de Lansodon por trinta dias, ao final dos quais... nada. Nenhum resultado. Tudo como antes no quartel de Abrantes...Daí, ele pediu mais exames – manometria e outro exame. O problema é que os laboratórios do convênio somente marcam este tipo de exame com 45 dias de prazo.

Marquei o exame e continuei tomando os remédios prescritos pelo gastro. Mas, na correria de fim de ano, perdi a data do exame. Fiquei puto da vida e resolvi procurar outro gastro para ter uma segunda opinião.O Dr. Gabriel olhou o resultado da endoscopia, conversou, conversou e no final disse: bem, o que você tem não tem remédio. Eu posso até solicitar um monte de exames, e no final vou dizer a mesma coisa que estou dizendo agora. Vai ter que conviver com isso pelo resto da vida. Vai ter que perder peso, modificar hábitos alimentares, levantar a cabeceira da cama e se acostumar, porque não tem jeito...

Mesmo assim, ele repetiu a prescrição do Dr. Marcio, variando apenas a dosagem e a marca do remédio. Eu havia me queixado a ele de preguiça intestinal. Ele apalpou a barriga, aperta aqui aperta ali, desconfiou de diverticulite e resolveu prescrever uma colonoscopia.

Cacête. Escapei do troca-troca na infância, escapei das bichas da faculdade de letras, escapei até do urologista (o Lu Chi prefere ultrasom a exame de toque...) e fui acabar levando no rabo por um japonês... Mas, foi até bom, havia pólipos do tamanho de cogumelos, quase obstruindo o cólon.

Foram devidamente removidos e tudo ficou bem.

O Dr. Gabriel referiu-me à nutricionista que me prescreveu um regime brabo. Durante a consulta ela começou a listar o que podia e o que não podia. Listou entre os “não pode” todas as comidas com as quais estou acostumado e na lista de “pode” todas as comidas que eu detesto.

Li a lista e perguntei: E cicuta, onde é que entra? Já que estamos cortando tudo, posso cortar os pulsos?

Mas, de toda forma, mudei minha alimentação. Agora como somente salada. Antes eu comia tanta fruta que de vez em quando tinha vontade de sair voando. Agora estou me sentindo um coelho.
Levantei a cabeceira da cama tanto que hoje eu e a Edna temos que usar cinto de segurança para dormir. Além disso, coloco dois travesseiros grandes, de modo que passei a dormir sentado.

Mesmo assim, o refluxo continua a incomodar. Não posso mais ir a restaurantes, porque por alguma razão misteriosa, os donos dos restaurantes ficam muito aborrecidos quando os clientes vomitam a refeição na mesa, assim que terminam de comer... não entendo... gente incompreensiva e intolerante estes gerentes de restaurante.

Em Janeiro, parti para a acupuntura. Sem resultado. Durante uns três meses submeti-me a sessões de acupuntura e relaxamento, mas não senti qualquer diferença. Em Maio, a Edna encomendou um tratamento à distância oferecido no centro espírita que ela freqüenta. Assim, por três sábados seguidos, eu me deitava ao meio dia e ficava bem quietinho até as 3 da tarde. Geralmente eu dormia.

No primeiro dia, depois de vomitar o almoço - como de hábito - deitei-me e dormi profundamente. Acordei bem. Jantei normalmente. Os espasmos cessaram. O refluxo melhorou.
Durante a semana, o problema voltou a aparecer.

No segundo sábado, não vomitei o almoço, deitei-me e fiquei lá bem quietinho. Dalí uma hora, mais ou menos, comecei a sentir que meu esôfago estava sendo manipulado. Nitidamente, uma massagem estava sendo feita no esôfago, foi descendo, descendo até o baixo ventre.
O problema não foi resolvido, só melhorou um pouquinho o espasmo.

No terceiro sábado, aconteceu algo notável. Já quase no final do período de recolhimento do tratamento, comecei a sentir que ondas fortíssimas de energia – parecia a sensação que se tem quando se tenta juntar pólos iguais de um imã – começaram a golpear minha cabeça, até que conseguiram penetrar meu corpo. Daí passou pelo corpo violentamente, provocando uma sensação de levitação (eu senti como se flutuasse uns trinta centímetros acima do colchão) e saíram pelos pés – swishhhhhhhh!!!....

Na hora, pensei: Ferrou. Desencarnei. E o espírito saiu pelos pés...

Bem, apesar de vir de uma família totalmente católica: minha Vó Chica era do apostolado da oração e era a zeladora da igreja, minha mãe e minhas tias eram todas filhas de Maria e também do apostolado da oração; meu pai, meu tio Chico eram congregados marianos fervorosos, minha tia Rosa era filha de Maria e solista no coro da igreja, meu primo Picido hoje é monsenhor. Eu, a ovelha negra, acho que sempre fui materialista. Desde os treze anos de idade, quando pedi demissão da Igreja Católica por escrito ao João XXIII. Desde quando eu e o Silvio Placco fomos expulsos da igreja pelo Roque Ielo, porque tivemos um ataque de riso na hora da consagração, quando o coroinha levantou a casula do padre Pedro e eu ou o silvinho fizemos uma observação sobre levantar a saia do padre. Aquela expulsão foi simbólica. Fomos banidos do templo...Mas eu já tinha minhas reservas quanto à santa madre.

Durante a preparação para a primeira comunhão fui me confessar.

Cabe dizer aqui, a bem da verdade, que eu era um santo. Não tinha pecado algum.Quando me ajoelhei no confessionário e não consegui encontrar coisa alguma a ser contada ao padre Pedro, que saiu possesso do confessionário e aos brados – e na igreja vazia, os brados realmente eram brados, ecoando até o fim dos tempos, reverberando nas volutas e reentrâncias, martelando meus ouvidos e humilhando-me diante daqueles que aguardavam sua vez de se confessar. “Vá fazer o exame de consciência... seu moleque...”

Só faltou arrastar-me pelas orelhas e colocar-me na roda da inquisição para tirar de mim uma confissão dos terríveis pecados que eu, aos sete ou oito anos de idade havia cometido...

Minto. Eu realmente fiquei materialista entre os treze e dezessete anos. É que nesta época, eu praticamente residia na biblioteca da cidade. Li tudo o que havia ali. E vi a luz... Vi Darwin... Vi Marx...Mas, ainda permaneci panteísta por bastante tempo, e agnóstico, ou seja, eu sentia a presença de uma força divina que não conseguia explicar ou entender.

Lembro-me que ao entrar para a Wagons-Lits, em 1971, preenchi o campo religião do formulário com a palavra agnóstico. O gerente, que era grego, fez questão de explicar-me detalhadamente o significado completo da palavra grega gnosis.

Em 1980, entrei para a Maçonaria onde se exige a crença em um princípio criador, ao qual damos o nome de Grande Arquiteto do Universo. Na época de minha admissão, eu era panteísta, ou seja, acreditava que aquele princípio criador estava presente em tudo, era a razão que explicava a organização do universo, a perfeição dos ciclos naturais, o fenômeno da Vida.

Nesta época, ainda atribuía até mesmo a evolução das espécies àquele mecanismo maravilhoso da organização do universo. Depois, pouco a pouco, mercê de estudos filosóficos conduzidos devido à minha condição de maçom, fui caminhando para um ateísmo consistente e um profundo materialismo, (ainda que a figura de maçom ateu seja vista pela grande maioria dos membros da Ordem como uma aberração).

Pois bem, o episódio do tratamento espiritual abalou profundamente os fundamentos de meu materialismo. É claro que meu ateísmo continua intacto, pois continuo não aceitando uma figura divina individualizada, um Theos, mas meu materialismo - no sentido de negar uma dimensão espiritual - foi abalado pelo que encarei como uma prova de que existe alguma coisa extraordinária ou sobrenatural em nossa realidade. Estou pesquisando o espiritismo, pois a Edna tem uma biblioteca enorme sobre o assunto. Chego à conclusão preliminar que o espiritismo tem lógica e pode ser a explicação para aquele fenômeno.

Vou precisar estudar muito ainda, para filtrar os conceitos dos textos espíritas, a maioria deles muito primários e voltados para o proselitismo e o convencimento dos leitores. Mas, a idéia em si é perfeitamente aceitável.

Não curei meu refluxo; continuo vomitando parte do almoço (só consigo comer moqueca e bobó de camarão sem problemas... até o sorvete que era um santo remédio ultimamente tem dado xabu...); continuo dormindo sentado e quase morrendo afogado em suco gástrico que transborda para as vias aéreas (a Edna está pensando em preparar o outro quarto para mim... porque eu tusso metade da noite...)

Fora isso, estou jóia... comecei a fazer yoga junto com a Edna duas vezes por semana. Mudei para um homeopata antroposófico, estou tomando chá de mato, pílula de mato, gotinhas. Mas, nada muda. A sentença do Dr. Gabriel parece ser definitiva...

Quasímodo

Procuro fazer os exames médicos de rotina.

Meu convênio inscreveu-me em um projeto novo de medicina preventiva, onde tenho uma entrevista telefônica a cada quinze dias e uma visita de enfermeira a cada mês, para acompanhamento de saúde. Muito interessante a idéia. Eles agem preventivamente e assim o custo da apólice diminui.
Aliás, estou precisando ir ao cardiologista. Faz mais de um ano que não vou. Depois de fazer a visita ao Lu Chi, o urologista e constatar que tudo está legal no hemisfério sul, resolvi consultar um ortopedista por conta de uma dor nas costas que me persegue nos últimos 30 anos.

Após meia dúzia de radiografias o Dr. Tiba constatou um desvio que altera a geometria da coluna e provoca a dor. Prescreveu RPG. Para quem não sabe, RPG significa Reeducação Postural Geral.
Depois de enfrentar uma fila para marcar a fisioterapia, finalmente fui até a clínica.

Fui recebido pelo Fernando, o fisioterapeuta, que me levou a uma sala onde havia uma mesa igualzinha àquelas que vemos nos filmes americanos onde são executados os condenados por injeção letal. Na parede um grande espelho de motel. Daí, o terapeuta começou uma longa anamnese, buscando encontrar traumas que pudessem ajudar no direcionamento do tratamento. Contei a ele toda a minha aventurosa vida de garoto e adolescente em Caconde, com as frondosas mangueiras da casa da Vó chica, o perigodos açudes e rios, as uvaieiras altas e de madeira fraca... Contei que ao final da adolescência, aos dezesseis anos, quando todos os meus colegas estavam trepando com as domésticas da cidade, eu estava trepado em uma uvaieira apanhando frutas quando despenquei de uma altura de uns cinco ou seis metros até o chão, onde bati o rosto em uma pedra e tive os dentes empurrados para dentro do crânio. Até hoje, acho que deve haver um incisivo encravado no meu cérebro...
sem contar o trauma de me transformar em um adolescente banguela...

O Fernando, aí, passou ao exame físico:

De pé. Junte os pés. Feche os olhos. De lado. Erga os braços. Levante a calça acima dos joelhos. Agache. Levante. Tire a camisa. Vire para o espelho. Toque a ponta dos pés. Gire o torso.

E assim foi...

Fiz todo e qualquer movimento possível. E ele tirou todas as medidas possíveis.

Finalmente, depois de escrever algumas coisas, ele começou a explicar:

“Bem, Sr. Quasimodo, digo, Sr. José Antonio, o senhor tem uma perna mais curta que a outra, tem lordose cervical, escoliose torácica, hiperlordose lombo-sacra, sua musculatura posterior está toda encurtada: panturrilha, coxas, glúteos, lombar. A musculatura do trapézio está flácida, e o abdômen provoca agravamento da hiperlordose lombo-sacra. Na sua idade, (eu, um jovem de sessenta anos!!!) fica um pouco mais difícil resolver, mas vamos procurar melhorar sua postura para aliviar as dores nas costas...”
Ato contínuo, começou a sessão de tortura...

Confessei tudo.

Bolsa dos meus valores...

Vai mal, muito mal... Junto com a bovespa, minha bolsa de valores vem despencando... Algumas ações, bluechips, como TRAB4, CASM5, FINA4, FAMI4 continuam se sustentando, apesar do clima adverso, mas outras ações estão caindo e comprometendo o índice.

MAÇO4, por exemplo, vem perdendo gás a cada dia que passa e GOBB5 já está chegando ao nível de ICAR4 e IURD5, ou seja, franco prejuízo e virando pó. Talvez se aproxime a hora de vender o papel, ou trocar, caso apareça algo no mesmo setor.

Também sofrendo com o ambiente atual, estão POLI5, COMU4, AMIZ5, CIDA4, ARQUI4 que estão se desvalorizando, lenta, mas inexoravelmente, com sérios prejuízos para a carteira, visto que têm uma importante participação no índice. SAUD5 também sofreu um pouco nos últimos seis meses, mas faz parte do ciclo do papel que tende a cair com a maturidade.

Mas, vejamos o caso do papel GOBB5.

Adquiri o papel há uns cinco anos, depois de ficar um longo tempo fora do mercado, tendo vendido minha carteira de GGLL4, por conta de problemas de governança.

GOBB5 me parecia um papel atraente, com um modelo diferente de governança e participação no mercado, mas pouco a pouco, o que se revelou foi que tem os mesmos problemas estruturais que GGLL4. O problema parece estar ligado à holding MAÇO4, que tem problemas de definição de missão, pelo menos a filial brasileira. A matriz na Inglaterra funciona bem, nos Estados Unidos também, na França tem alguns problemas, e no Brasil transformou-se em um elefante branco atolado na lama e está arrastando GGLL4, GOBB5, GOPI4 e uma miríade de outros papéis de menor importância para o buraco.

A subsidiária GOBB5 em São Paulo que já era comandada por uma administração fraca e ineficiente, foi objeto de take-over (sem eleição pela assembléia de acionistas) por um grupo que a instrumentaliza. Interesses particulares de diretores são confundidos com os interesses da empresa que, aliás, tem certificação ISO9000.

Em nível nacional, assistimos a uma disputa interna pela diretoria, com lances do mais baixo nível, na busca da aprovação dos acionistas para uma nova gestão. A luta pelos cargos de diretoria nacional transformou-se em um mercado persa, onde vale tudo e a confiança dos acionistas acaba sendo abalada.

Eu mesmo, que tinha pelo menos dois interessados em adquirir GOBB5, estou retirando a oferta, visto que estou certo, eles não colheriam os dividendos que esperam

SEM A VESÍCULA...

A cirurgia foi tranquila.
Fora a barriga que parece ter ido fazer uma excursão pela linha amarela no Rio....Quando bebo água, pareço um chuveiro....

Fiz o check-in no Santa Catarina na Sexta-feira às 00:20hs. Otimo hotel com um serviço médico maravilhoso.De madrugada, uma enfermeira entrou no quarto, pediu-me que lhe mostrasse a bunda. Fiquei todo assanhado. Senti uma picadinha e foi a última coisa de que me lembro.... Acordei na penumbra silenciosa de uma sala, ao lado de outras macas (pensei: fudeu....),

Nisso, o legista... oopps! o médico mostrou a cara e disse: "xhohjafjklhar hçladkjhra ljhskljhkls hjdhlkajhlkejhlkjhw ljhlkhlkhlkhkkk... hlkahdlkfhahhy hlpkjelkjhlkrhelkhs hj hkljhklhekhklhk..." e acrescentou..."çlajçldjfaçl kojçljçladf çljçlajldls jhhhh çaklsçldjflç as dfçaldjfçla h jshkdhka sdfhk". Devia ser turco, armênio ou coisa parecida...

Em seguida, fui conduzido ao quarto. Por volta de meio dia da sexta feira dia já estava acordado tomando sopinha.... Foram três furinhos na barriga (no meu caso fizeram um quarto para retirar material para biópsia, que no final nem foi utilizado porque segundo o médico, o fígado estava tão hígido que ele não achou necessário).

Por outro lado, a vesícula em si estava em péssimo estado, já inflamada e infeccionada. Foi retirada no momento certo. Com isso estou sob antibióticos brabos por uma semana. No sábado, recebi a visita do médico para o procedimentos de alta.
Perguntado, o cirurgiâo disse: - Vou explicar de maneira bem simples:

"A presença de prega espiral do ducto cístico ( válvula de Heister) foi observada. Infundíbulo da vesícula biliar (bolsa de Hartmann) não foi constatado. No trígono cistohepático ou triângulo de Calot foi encontrado e a junção hepato-cística se dava próxima ao hilo hepático. O ângulo formado pela junção hepato-cística era menor que 30º e árvore biliar dilatada com presença de cálculo de cerca de 4 cm em colédoco distal o que exigiu a colecistectomia com coledocotomia, retirada do cálculo e anastomose colédoco-duodenal por laparoscopia. "

Vê-se que o Dr. Rafael gosta realmente do que faz...Depois desta explicação simples, respirei aliviado..Sinto um incômodo geral no abdomem, uma dor difusa, mas perfeitamente controlável com analgésico comum.

Hoje, segunda-feira, já quase não tenho dor e estou trabalhando normalmente. É claro que tenho a vantagem de trabalhar em casa, sem necessidade de deslocamentos, de dirigir, movimentar-me, assim ir ao escritório não representa esforço extra, e funcionalmente estou inteiro. Dentro de dez dias vou tirar os pontos e pronto...

Agradeço a todos pelos votos, e se alguém souber de um interessado na aquisição de 40 gr de cálculos biliares, vou colocar no E-Bay ainda hoje....

A grande Viagem

Sou interessado em História nacional e internacional, sempre estudando este assumo, mesmo estando fora de minhas áreas de formação básica (Letras e Direito).

Certa vez, conversando com a D. Maria Lucia, uma senhora de noventa e tantos anos, ela me contava sobre a época em que sua família teve que deixar São Paulo, por conta do bombardeio aéreo da cidade durante a revolução de 24.... Cáspite! Que revolução foi esta que eu nunca ouvi falar?Ato contínuo, fui pesquisar e descobri que esta revolução chamada “revolução esquecida” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_Paulista_de_1924 ) ficou espremida entre a Revolta do Forte de Copacabana e a Revolução de 32.E assim vou, de descoberta em descoberta, constatando meu grau de ignorância.

Mas, com o advento da Internet, ficamos muito mais expostos a informações que de outra forma estariam sepultadas em compêndios das bibliotecas, ao sabor dos interesses dos protagonistas da história.Foi esse o caso do Projeto Genographics

Assistindo a um documentário na tv a cabo, entrei em contato com este projeto, que é uma evolução do estudo do genoma humano. Fiquei vidrado.... e parti para a Internet, buscando detalhes.Em resumo, o Projeto levantou perfis de DNA de populações ao redor do mundo, com ênfase em populações indígenas, ou etnias bem caracterizadas. Fora isso, qualquer pessoa, independente de qualquer coisa, pode adquirir um kit de teste de DNA, enviar a eles, e eles fornecem o perfil básico do DNA y e mitocondrial.O DNA é basicamente a organização de quatro bases A, C, T e G que representam proteínas em uma cadeia de moléculas que se esticadas atingem dois metros de comprimento. São bilhões de combinações destas quatro letras e que funcionam como uma programação das características do indivíduo.

Assim é, que dependendo desta combinação, o indivíduo terá diferentes características genéticas (super-simplificadamente).Depois de ler tudo o que está publicado no site ( https://www3.nationalgeographic.com/genographic/index.html), adquiri os Kits de participação no projeto e os enviei aos Estados Unidos. Junto com o kit, vem um número de código para acessar os resultados diretamente no site.

Algumas semanas depois, os resultados foram publicados e aí, então, que começou A Grande Viagem.

Venceu a garantia...

Quarta Feira 19 de Julho de 2006, três da manhã. Acordo com uma leve dor de estômago levanto, tomo um copo de leite. Nada. A dor passa a incluir o fígado levanto tomo um xantinon. Espero. Nada.

A Edna aquela santa que me atura há 33 anos vai até nossa vasta horta, colhe umas folhas de boldo, macera, eu tomo e vou deitar.

Aquela santa que me atura há 33 anos tinha uma viagem de excursão marcada e como eu achei que melhoraria (como sempre melhorava) nos despedimos e ela tomou o táxi e foi ao terminal se juntar ao grupo para Pós de Carda.

A dor não parou, resolvi ir ao hospital. 6:20 da manhã. Trânsito livre. Chegando à AV. Paulista a dor começou a aumentar, aumentar, aumentar, aumentar, e aqueles pamonhas na minha frente não andavam, aí alguém atropelou um motoqueiro em frente ao MASP, e a fila parou e a dor Aumentando, (comecei a suar…), aumentando, aumentando,(coitado do motoqueiro…) (saio da fila, entro na pista dos ônibus e mando pau…. Que sinal vermelho qual nada… , Deseeeembargaaaadooooor Eliseuuuuuuuuuuuuu Guilheeeeeeeeeeeeeeermeeeeeeeeee, Abiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiliooooooooooooo Soaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaares pamonhas fecha o sinal duas horas depois abre reta de chegada Beeeeeeernardiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiino de Cammmmmmmmmmmmmpos, Paulisssssssssssssssssssstaaaaaaaaaaaaa, Teixeira da Silva, emboco no PS do Hospital e cruzo a linha de chegada…………… Brazil! Zil! Zil!

Jogo o cartão de convênio e a identidade no balcão o funcionário olha pra mim nem discute sai correndo chama o médico vem correndo deito na maca começo a vomitar vem o plantonista olha sai correndo para o telefone enquanto a equipe faz eletro coloca nitroglicerina em baixo da língua tira a roupa tira a aliança tira tudo coloca a camisola sem fundos dou o telefone de casa mando chamar minha filha e cortejo segue para o elevador até a UTI onde começam a espetar aqui espetar ali vem o cardiologista prescreve uma tonelada de remédios pesagem 96 quilos freqüência cardíaca 170 anchoron buscopan novalgina um dreher e vem o gastro ee continua a bateria de exames ecocardiograma soro soro soro soro até a noite dorme acorda dome acorda madrugada aparece o drácula leva um pouco de sangue dorme acorda dorme acorda pesagem 101 quilos alguém espeta a barriga e nada de mijar dorme acorda soro sorinho sorão sorinho luftal buscopan novalgina frequencia cardiaca caindo ótimo mas ainda não chegou onde eu quero raio x do tórax e dorme acorda dorme acorda visita Paula Claudia conversa fim da visita dorme acorda dorme acorda visita Binho oba celular ligo para Edna em Pós de Carda tudo bem tudo sob controle está se divertindo que bom tchau ultrasom do abdomem a maquina não liga chama o técnico vem alguém resolve o problema exame feito algumas pedrinhas parede da vesícula espessa indica inflamação sem obstrução do canal pancreático tudo bem fim da visita dorme acorda dorme acorda drácula luftal soro soro soro papagaio viva finalmente…..Sexta de manhã drácula luftal buscopan soro soro soro arritmia controlada temperatura controlada pressão controlada gastro vem apalpa e anota alta para quarto a critério do cardiologista aprova enfermeiro informa problema de superlotação do hospital dorme acorda dorme acorda visita Paula Claudia relatório tudo correndo bem Paula defendendo o forte fim da visita dorme acorda dorme acorda picada na barriga papagaio três da tarde enfermeira informa que vagou quarto 208 precisa higienizar precisa presença familiar passo telefone Paula cinco e meia quarto. Hospital Santa Catarina cinco estrelas TV a cabo nada para assistir Edna chegou beijinhos beijinhos relatórios detalhados Paula vai embora tv a cabo só porcaria Vitória Secret salva a noite com a Gisele bundchen de diabinha ...

Sábado de manhã. Acordo bem disposto. minha filha liga para dar um relatório de danos da minha saída repentina da linha de produção da multinacional. danos relativamente pequenos. Informa que tem um contratinho de um dos clientes para versão com pedido de urgência.
Pedi que trouxesse o laptop e fiquei matando o tempo com um servicinho a bicha do médico não aparece começo da noite ele chega diz que a parte cardíaca não tem problema nenhum, arritmia controlada tudo bem. Mas tenho que ficar mais uma noite em observação vai depender o gastro, mas na opinião dele era bom aproveitar que todo o pré-operatório estava feito e tirar logo a vesícula.

Domingo de manhã. Drácula de madrugada. Depois luftal antibiótico buscopan eletrocardiograma. Meio dia mudança de dieta agora só líquidos. Dancei. Melhor ver se for engano ou se é parte do pré-operatório. Meio dia. Aparece o gastro, Dr. Rafael e expõe a situação. Duas hipóteses: operar já ou tratar a inflamação e operar mais tarde. Preferi a segunda opção. Alta alta alta alta…. liberdade condicional para tomar algumas providências testamento, contar à futura viúva onde estão os dólares, os números de conta da suíça, cositas próximo passo ir ao gastro e decidir o que fazer com a vesícula provavelmente operação oportunidade de negócio preço do grama de pedra de vesícula no mercado mais alto que ouro convenio paga retiro vesícula vendo no mercado e pago um ano de convênio.