segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sepultamento Paulo de Tarso

 

Dois sepultamentos. Duas impressões. Uma conclusão.

O primeiro, em 1957, quando eu tinha nove anos de idade e quando decidi entrar para a Ordem: o falecimento de meu tio-avô Afonso.

O cortejo foi acompanhado por uma centena de maçons paramentados, de todos os graus do REAA, com dezenas de estandartes de loja...

Meu tio-avô, um barbeiro como meu pai, na urna, paramentado como mestre-instalado, sem a presença de qualquer padre (a pedido seu no leito de morte...)

Tudo isso em uma cidade que na época não devia ter mais de cinco mil habitantes... Os maçons vieram de toda a região, principalmente de Poços de Caldas onde se situava a loja de meu tio-avô. 

O segundo, em 2008, cinqüenta anos depois: o falecimento de Paulo de Tarso Liberalesso.

Doze gatos pingados, entre os quais três ou quatro que lá estavam por dever de ofício, participaram do ato maçônico de homenagem ao falecido.

PTL, na urna, paramentado como mestre instalado, e ao seu lado um padre idiota falando aquelas bobagens, cantando hinos de saudação a nossa senhora aparecida, tecendo loas pasteurizadas e fazendo propaganda de sua paróquia...

Tudo isso em uma cidade que tem vinte milhões de habitantes... e alguns milhares de maçons. Nem mesmo os irmãos da loja do falecido lá estavam...

Mudaram os tempos, ou mudou a maçonaria?

Será que Paulo de Tarso foi tão ruim em vida? Foi um mau maçom? Foi um irmão relapso? Será que todas as homenagens e elogios a ele dirigidos em vida não correspondiam realmente a uma intenção honesta e bem intencionada daqueles que as faziam? Será que um membro da administração do Grande Oriente do Brasil não merecia uma presença menos anêmica? 

Certamente, a esposa dele, seu pai e sua mãe que lá estavam devem ter uma imagem bastante decepcionante da Ordem. Como sempre, bom para ser irmão, mas não suficientemente bom para ser amigo. 

Confesso que este fato só fez aumentar o meu grau de descrença no futuro da maçonaria, ou melhor em meu futuro na maçonaria. Depois dos episódios das campanhas eleitorais estaduais e federais do GOB, os pés de barro começam a se desmantelar e a verdadeira face da maçonaria contemporânea começa a aparecer. Uma religião fracassada na política, um fracasso na beneficência e, para coroar, um fracasso no networking....


 

Lamentável!


 


 


 

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

SUGESTÃO AO BERLUSCONI


 

Hoje acordei internacional. Deve ser influência dessa crise econômica.

Mas, já que não tenho no momento nenhuma sugestão a fazer ao FMI, ao FED, ao Paulson, et caterva... e já que por aqui temos o Lula e, considerando que ele tem tudo sob controle no país, resolvi dar uma ajuda ao Berlusconi, coitadinho, que não tem a mesma capacidade que o nosso presidente.

Por isso, resolvi escrever a ele a carta abaixo, em Portuliano, com uma sugestão para a solução do problema do lixo em Napoles e outras cidades da Itália.


 

Só espero que ele consiga entender o meu italiano. Lembro-me, certa vez, quando tentei fazer uma reserva de hotel por telefone, o italiano do outro lado respondeu: "scusi, signore, ma io no parlo spagnol"...


 

[Papel timbrado]


 


 

San Paolo, Ottobre 9, 2008

Dottore Silvio Berlusconi

Presidenza del Consiglio dei Ministri

Piazza Colonna , 370

00187 ROMA - ITÁLIA

Rif. Dossier: SMALTIMENTO RIFIUTI UTILIZZANDO I VULCANI ETNA E STROMBOLI


Signor Primo Ministro.


Sono un italiano nato in Brasile. Sono 60 anni, e amo l'Italia. Ho seguito con grande interesse tutto quello che succede in Italia dalla RAI, Internet, e la stampa.


In particolare, ha attirato la mia attenzione il problema della spazzatura a Napoli, e la notizia che i rifiuti sono trasportati in treno in Germania per essere bruciati entro le norme dell'Unione europea.


Mi sembra, signor Primo Ministro, che i tecnici italiani non sono "pensare al di fuori della scatola", in quanto non vi è una soluzione molto più semplice a portata di mano e che potrebbe essere l'uscita per il trattamento dei rifiuti provenienti da tutta Italia.


Ciò richiederebbe, naturalmente, di coraggio e di alcuni investimenti, ma in quantità perfettamente fattibile per il governo italiano e, naturalmente, non vorrei proporre questa idea ad un altro governo che non ha avuto il profilo del suo governo, vale a dire un atteggiamento proattivo imprenditoriale per risolvere i maggiori problemi del paese.


Bene. Questa è l'idea:


Il rifiuti italiani sonno bruciate a Brema, dopo un lungo viaggio in treno, che ha un costo elevato. Questo è molto derisive per la capacità di Itália risolvere i propri problemi. Lo smaltimento dei rifiuti è un problema più grave in tutte le comunità del paese e in ogni paese del mondo.


La questione che domanda una risposta è: Perché i rifiuti non può essere bruciato in vulcani come Etna e Stromboli? Essi sono vulcani attivi, vale a dire enormi forni con capacità di masterizzare tutti i rifiuti d'Europa. I refiutti sarebbe vaporizzato dalla lava, senza la produzione di qualsiasi emissione di fumo più dannosi rispetto a quella prodotta dal vulcano.


Ciò richiederebbe solo il coraggio di affrontare le urla degli ecologisti, ma questo coraggio sembra essere una delle vostri qualità principali, signor Primo Ministro.


Esso deve essere considerato:


  1. la situazione dei rifiutti è particolarmente critica nel sud Italia, e sia la Stromboli e l'Etna si trovano circa 200 km dal centro della Calabria, e ci sono molti collegamenti ferroviarie a nord d'Italia. Sono meno di 400 km da Napoli.

  2. Non vi è collegamento marittimo già da diversi punti di Scari Italia e Catania.

INVESTIMENTI:


In Stromboli sarebbe necessario distribuire un termo-elettrici impianto per la produzione di energia che alimentano il trasporto di rifiuti al cratere per mezzo di una cintura, funivia o funicolare. Il porto di Scari si domanda per essere adattato per l'atterraggio automatico di rifiuti direttamente al nastro trasportatore nel cratere, o agli impianti per la selezione del materiale riciclabile ad essere installato su tutta l'isola.


Tuttavia, con la grande quantità di calore dal vulcano e l'acqua del Mediterraneo, non vi è alcun problema per la produzione di energia elettrica. Inoltre, la termo-elettrica impianto non deve essere troppo grande, e permetterebbe di produrre energia per le abitazioni esistenti sull'isola.


Lo stesso vale per l'Etna.


In entrambi i casi, sarebbe necessario un investimento per il trasporto di rifiuti sui treni e battelli.


OPERATIVO:


Alcune possibilità deve essere presa in considerazione:


  1. I rifiuti potrebbero essere selezionati a livello locale nella comunità con lo sfruttamento di tutti i materiali riciclabili che la comunità, opure particolari potrebbe vendere e generare valore di mercato. Le non-riciclabile materiali sarebbe trasmessi per l'incenerimento in vulcani. Che ridurrebbero il volume del materiale trasportato, e consentire un approccio più ecologico nello spirito del Decreto Ronchi.

  2. Gli rifiutti sarebbe trasportati a Scari o Catania, dove piante sarebbe installate per la selezione manuale / semi-automatica dei rifiuti riciclabili. Un grande vantaggio sarebbe la generazione di posti di lavoro in aree svantaggiate, evitando la migrazione verso il Nord.

  3. Dopo la raccolta manuale dei materiali riciclabili, la spazzatura sarebbe trasportati da cinture automatiche o contenitori, lanciati nel cratere di vulcani e vaporizzati.

Tutto questo investimento avrebbe un rendimento garantito, se scalata a una maggiore capacità di produzione di rifiuti da Italia, dal momento che potrebbe essere una soluzione per il problema della spazzatura di altri paesi europei.


Spero che questo suggerimento è di qualche valore.


Cordiali saluti,


Jose A.S. F.


São Paulo.


Brasile

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

ELEIÇÕES

Estas eleições estão sendo muito produtivas para mim. E não estou falando só da eleição americana que está produzindo altos níveis de serotonina cada vez que vejo a cara de bunda do Bush. (Ainda mais agora, com a crise econômica em que ele é colocado diante de sua incompetência absoluta, com entrada no panteão da história como o pior presidente que os Coitados Unidos tiveram...)


Estou falando da eleição municipal. Prefeito, vereadores... Ela forçou-me a uma reflexão profunda sobre a dinâmica do poder legislativo e sobre o exercício racional do voto.


Depois de votar durante quarenta anos, descobri o caminho. Acho que se não fosse tão preguiçoso eu deveria escrever um livro sobre minhas conclusões. Mas, como não dá para escrever um livro, eu escrevo este testículo e dá no mesmo. Ou seja, ninguém vai ler mesmo...


Para mim não existe candidato a vereador que preste. Todos serão engolidos pela máquina e suas qualidades individuais serão simplesmente anuladas. Serão reduzidos a massa de manobra, queiram ou não queiram.


Concluí que nem mesmo eu, um cara super-consciente, bem-intencionado, politizado, educado e honesto sou um bom candidato a vereador em São Paulo.


Isso porque o processo político interno da Câmara condenará o vereador a duas posições possíveis: ou ele se enquadra e joga pelas regras do jogo, ou passará seu mandato todo paralisado e, ao final, sairá da legislatura com cara de tacho, como incompetente, não tendo emplacado nenhum projeto de lei de sua autoria – que é o que todos esperam do vereador.


É claro que os leigos não fazem idéia das dificuldades de tal empreitada e do ambiente de balcão de negócios da Câmara.


Por um lado existe a dificuldade de se encontrar motivações para projetos que sejam suficientemente abrangentes para atender ao interesse de toda a cidade, em uma metrópole altamente diversificada.


Por outro, aí é que a porca torce o rabo, existe um esquema de toma-lá-dá-cá na câmara que efetivamente impede que os bons vereadores tenham uma atuação eficiente.


A coisa funciona assim: O vereador tem uma idéia brilhante, que vai salvar a cidade e beneficiar todo mundo. Para apresentar o projeto à comissão de justiça, para que seja avaliada a viabilidade do projeto, o vereador precisa de certo número de assinaturas de seus pares. 


É claro que ele vai conseguir as assinaturas – principalmente das raposas e cobras criadas da câmara. E estas raposas e cobras criadas logo anotam no caderninho que assinaram ao projeto do novato. O projeto vai a plenário, pode ou não ser aprovado, dependendo da habilidade do novato (a esta altura ainda mínima). 


Mas, as cobras criadas, na primeira oportunidade, vão criar um projeto bem lesivo aos interesses públicos, que favorecerá empreiteiras ou o secovi (os verdadeiros donos da cidade de São Paulo), e virão até o novato cobrar a assinatura que colocaram no seu projeto. E ele não vai poder se recusar, apesar de ver que o projeto é ruim. Se ele se recusar, estará condenado a nunca mais emplacar projeto algum. Se assinar, vai ficar marcado para sempre e terá sua integridade manchada.


Assim, a possibilidade de ficar no caderninho dos ladrões e aproveitadores paralisa o novato e ele termina a legislatura como incompetente e omisso.


Chego à conclusão que a tripartição dos poderes não mais funciona e que temos de modificar a atuação dos corpos legislativos. Ainda que isso não seja feito na letra da lei, atuar politicamente para transformar a Câmara dos Vereadores em um apêndice do Executivo.


Isso seria possível se os eleitores, ao votar no prefeito de sua preferência, votasse sempre na legenda do candidato, de forma a aumentar o número de vereadores do mesmo partido que o chefe do executivo e, assim, garantir a aprovação de projetos originários do gabinete do prefeito.

Este é o princípio do parlamentarismo, onde o chefe do executivo é o líder da maior bancada do legislativo.


Não tem sentido votarmos em candidatos amigos, parentes, bons-moços, etc. se eles não estiverem alinhados com o prefeito. É jogar voto fora...


Por isso, este ano vou votar no meu candidato a prefeito e em sua legenda, assegurando que a bancada dele na câmara lhe assegure a aprovação dos projetos do executivo.