quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Colchão Serta nunca mais, nem Sleephouse...


Meu colchão está sofrendo de Mal de Alzheimer’s... perdeu a memória.

Em Janeiro de 2009, comprei um colchão Perfect Night (Noite Perfeita?!) fabricado pela subsidiária brasileira da Serta Inc., (o nome deveria ser Errada Inc.) que se gaba de ser a maior fabricante dos melhores colchões do mundo e se gaba também da qualidade do produto, no qual alega utilizar uma espuma chamada Memory Foam desenvolvida pela Nasa, que teoricamente sempre retorna ao formato original quando desaparece a pressão exercida sobre ela. Ou deveria retornar...

E é verdade. A espuma desenvolvida pela Nasa realmente tem memória. Tenho dois travesseiros desse material que são a prova disso. Mas, a espuma utilizada pela subsidiária brasileira não retorna ao formato original e, com o peso do usuário, cede e forma uma depressão dura e incômoda.

No site, eles declaram:

“A Serta se orgulha de ser o fabricante do Melhor Colchão do Mundo. Nosso compromisso com a qualidade nos tornou o líder no setor, e esperamos ajudá-lo a encontrar o colchão certo para ter a melhor noite de sono durante os próximos anos.”

Bullshit!

Pode até ser verdade no mercado americano, onde o consumidor é mais exigente e tem advogados de porta de cadeia mais agressivos que podem tornar a vida da empresa um inferno. Mas, por aqui, eles simplesmente fazem o que querem e vendem um produto vagabundo por um preço muito mais alto que a matriz.

Fico imaginando a reunião de lançamento do produto:

O gerente de marketing pergunta sobre os pontos fortes e pontos fracos do produto. O Gerente de Produção levanta a questão de que a substituição da espuma por um similar chinês de baixa qualidade pode provocar a formação de depressão no caso de usuário pesando mais que 45 quilos. O Gerente de Marketing, experiente, decide utilizar este defeito transformando-o em uma “qualidade” do produto e atribui a ele o nome de “Perfect Night, modelo envolvente”. E para se proteger, inclui este defeito na isenção de responsabilidade por garantia de dez anos do produto, em letras miúdas na documentação.

Mas, voltemos à história.

Um mês depois da compra, o colchão já estava deformado, com as laterais afundadas sob o peso do meu corpo e de minha mulher. Ela pesa menos de 60 quilos e eu peso 86 quilos.

Reclamei com a fábrica nos Estados Unidos, que me forneceu as coordenadas da subsidiária local, em São João da Boa Vista, estado de São Paulo. Pois bem, eles até que foram atenciosos. Mandaram um inspetor que constatou o defeito e providenciaram um novo colchão.

Poucos meses depois estou novamente dormindo afundado em uma depressão dura e incômoda. O colchão continua com a mesma péssima qualidade do original, com uma camada de espuma fina demais e certamente não é a tal de espuma com memória. Ou, como eu dizia no início, desenvolveu a síndrome de Alzheimer’s.

Assim, ao deitar, todas as noites enterrado no colchão, ou melhor, envolvido pelo colchão fico horas pensando no pessoal da Serta Inc., da Serta Brazil e da Sleephouse, loja da Av. Corifeu de Azevedo Marques em São Paulo e vêem-me à mente temas como adultério, bordéis, opção sexual, competência técnica, honestidade, propaganda enganosa, qualidade de produto, etc. Preciso falar urgentement com um psiquiatra.

Rolando na cama (e caindo o tempo todo dentro da valeta existente no colchão) cheguei à conclusão que o produto foi cuidadosamente projetado levando em conta uma motivação ideológica: os donos da Serta são profundamente religiosos e preocupados com a explosão demográfica e suas consequências para o futuro da humanidade.

Desconfio que eles resolveram criar um colchão especial para impedir o relacionamento sexual entre os casais. Engenhosamente, criaram uma protuberância no centro do colchão que não impede, mas dificulta o contato entre os conjuges, ao contrário daqueles colchões baratos, comprados em lojas populares por um décimo do preço do Perfect Night, onde a maciez do centro somada à força da gravidade induz o contato entre os cônjuges e a consequente prática de atos libidinosos e luxuriosos que, quase sempre, provocam o aumento da população pobre.

Vê-se que a Serta investiu-se de uma importante missão, qual seja, impedir a reprodução indiscriminada entre a população de poder aquisitivo mais alto. Naturalmente, se você é jovem e atlético como o Tom Brady e, além disso, sabe que do outro lado da protuberância está a Giselle Bundchen, não vai economizar esforços para sobrepujar o obstáculo criado pela Serta. Mas, em geral, e considerando a tendência para a obesidade da população, os usuários não conseguirão sair de seus nichos e superar o obstáculo central em busca de satisfação de suas necessidades.

Trata-se, portanto, de um inestimável serviço prestado à humanidade.

Mas, em resumo, não vou queimar o colchão em praça pública, até por que isso é proibido e polui; vou doá-lo ao Manoel, motorista que tem atualmente doze filhos e, assim, colaborar, com a ajuda da Serta, para a diminuição do crescimento familiar dele e da humanidade.

E vou procurar uma loja honesta, com vendedores competentes, que vendam um produto de boa qualidade para substituir esta peça de excremento sobre a qual eu diariamente sacrifico meu combalido esqueleto.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Bacalhau à Consulesa

 

Ingredientes


3  (sopa) de amido de milho
1  (chá) de óleo de soja
1  (chá) de leite
1 quilo de batata em cubos médios
1 quilo de bacalhau porto
4 claras de ovos em neve
200 gramas de margarina
1 cebola ralada

Preparo


Deixar o bacalhau em bastante água, de um dia para o outro. Escorrer a água e desfiar, retirando a pele e as espinhas. Fazer um refogado com óleo, cebola e o bacalhau. Reservar. Deixar as batatas em água fria por 10 minutos. Escorrer e fritar em óleo quente e reservar. Aquecer a margarina e juntar o amido de milho, misturando bem. Adicionar o leite e continuar mexendo até cozinhar. Juntar o bacalhau desfiado, as batatas e as claras batidas em neve. Despejar numa forma refratária untada e polvilhada com farinha de rosca. Levar ao forno quente durante 15 minutos.

....´....

terça-feira, 13 de outubro de 2009

The Lost Symbol, Dan Brown

Fiquei impressionado com o livro do Dan Brown, "O Símbolo Perdido" que terminei de ler hoje.

Estou pensando seriamente em entrar para a Maçonaria. Se alguém puder me indicar, me mande um e-mail, please.

Não deixem de ler o livro quando estiver disponível. Ele levanta o véu um pouquinho mais do que devia, mas de maneira geral, não provoca danos. Talvez, em certa medida, prejudique um pouco a imagem clássica do maçom, se considerarmos alguns aspectos do comportamento do grão-mestre Peter Solomon, mas para isso existe a justiça poética.

Já os "red-necks" e "hillbillies" vão ficar apavorados. Vão achar que os Maçons dirigem o país. A menos que o Dan Brown tenha conseguido passar uma mensagem positiva, principalmente pelo fato de que os Founding Fathers da nação americana eram maçons em sua maioria.

Também joga a favor, o outro filme "A lenda do Tesouro Perdido" que guarda bastante similaridade com o livro. Digamos que "A lenda" é mais estilo Disney e que "o símbolo" é mais no estilo Hannibal Lecter. Mas, a trama guarda bastante semelhança. Certamente o Dan Brown assistiu ao filme do Turteltaub. Quem sabe eles convidam o Riddley Scott para dirigir o filme e ele consiga dar um aspecto menos "gay" à trama.

O livro é interessante, apesar de parecer o Código Da Vinci reescrito, trocando a Opus Dei pela Maçonaria.

O ritmo frenético é o mesmo. Mas é violento. Muito violento. Muito sanguinolento... Por outro lado, é impressionante a resistência física das personagens. Por muito menos que aquilo, eu ficaria no mínimo um mês no hospital.

Eles não. São americanos, of course...

O Quê Dizer aos Filhos Sobre Religião?

Austin ClineTradução José Filardo

Quando as crianças são criadas em um ambiente religioso, o que lhes é ensinado sobre religião é relativamente óbvio e organizado - mas e as crianças educadas em um ambiente não-religioso?
Se você não está especificamente ensinando seus filhos a acreditar em quaisquer deuses ou a seguir qualquer sistema religioso, então pode ser tentador ignorar completamente este assunto.

Mas, no entanto, isto seria, provavelmente, um erro.
Você pode não seguir qualquer religião e você pode ficar mais feliz se os seus filhos nunca seguirem qualquer religião, mas isso não muda o fato de que a religião é um aspecto importante da cultura, da arte, da política e da vida de muitas pessoas que seus filhos vão encontrar ao longo dos anos.
Se seus filhos simplesmente são ignorantes sobre religião, eles vão perder muita coisa.

Outro, e talvez mais grave problema de se ignorar a religião reside na forma como eles reagirão à religião, uma vez que tenham idade suficiente para tomar suas próprias decisões.
Se eles não estiverem familiarizados com sistemas de crença religiosa, então eles serão presa fácil de evangelistas de praticamente qualquer fé.
Faltarão aos seus filhos simplesmente as ferramentas intelectuais necessárias para compreender e avaliar o que eles estão ouvindo, aumentando a probabilidade de que eles adotem uma religião muito exótica e/ou extrema.

Então, se é uma boa idéia ensinar sobre religião, como isso deve ser feito?
A melhor maneira de fazer isso é simplesmente ser o mais justo e objetivo possível.
Você deve explicar, usando materiais adequados à idade, apenas aquilo em que as pessoas acreditam.
Você também deve se esforçar para ensinar sobre tantas religiões quanto possível, e não se limitar apenas à religião dominante em sua cultura.
Todas essas crenças devem ser explicadas lado-a-lado, incluindo até mesmo as crenças de antigas religiões, tratadas geralmente hoje como mitologia.
Desde que você não privilegie nenhuma religião em detrimento de outra, então seus filhos também não deverão fazê-lo.

Quando seus filhos têm idade suficiente, pode também ser uma boa idéia levá-los aos cultos de diferentes grupos religiosos, para que possam ver por si mesmos o que as pessoas fazem.
Não há substituto para a experiência em primeira-mão, e algum dia eles podem querer saber como é o interior de uma igreja, de uma sinagoga, de uma mesquita. É melhor que eles descubram em sua companhia, de modo que você possa discutir o assunto posteriormente.

Se você estiver com medo de que ensinando sobre religião você também os estará ensinando a ter fé em alguma religião, você não deve se preocupar muito.
Seus filhos podem achar que esta ou aquela religião para ser muito interessante, mas o fato de que você está apresentando muitas religiões como iguais, sem que nenhuma delas mereça mais crédito do que qualquer outra, torna muito improvável que eles adotem acriticamente qualquer uma daquelas religiões, da mesma forma que uma criança criada especificamente para seguir uma tradição religiosa particular adota.

Quanto mais eles souberem sobre as reivindicações de fé de diferentes religiões e quanto mais simpáticos forem com a intensidade com que cada grupo, sincera e honestamente, acredita naquelas idéias incompatíveis entre si, menos provável será que eles comecem a aceitar qualquer uma daquelas reivindicações em detrimento das outras.
Esta educação e estas experiências funcionam, então, mais como uma vacina contra o fundamentalismo e o dogmatismo.

Ênfase no pensamento crítico também é importante, obviamente.
Se você educar seus filhos para serem céticos como regra geral, não deverá ser necessário fazer grande esforço para que eles tratem as afirmações religiosas com ceticismo – eles devem acabar fazendo isso por conta própria, de qualquer forma.
O ceticismo e pensamento crítico são atitudes que devem ser cultivados em uma ampla gama de temas, e não algo a centrar-se na religião e esquecer as outras coisas.

A ênfase no respeito também é importante.
Se, por meio de exemplo ou de propósito, você ensinar seus filhos a ridicularizar os crentes, você só os estará ensinando a serem preconceituosos e intolerantes.
Eles não têm que aceitar ou concordar com, ou mesmo gostar das crenças religiosas dos outros, mas eles não devem fazer questão de tratar os crentes como se eles não merecem o mesmo respeito que os ateus e os não-religiosos.
Isto não só os protegerá de conflitos desnecessários, mas também fará deles melhores pessoas de maneira geral.

http://atheism.about.com/od/atheistschildren/a/kids_teach.htm?nl=1

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Don Brown e a Maçonaria

Líderes da Maçonaria esperam que o último romance de Dan Brown reavive o interesse na adesão ao grupo

Por Jeff Diamant/The Star-Ledger – Tradução José Filardo

4 de Outubro de 2009


Nicholas Kamm / AFP / Getty Images

"The Lost Symbol" o novo best-seller de Dan Brown é exibido em uma livraria em Washington, em 15 de setembro de 2009. O livro, que vê a personagem de "O Código Da Vinci", Robert Langdon mergulhado no mundo secreto dos Maçons, acontece na capital dos Estados Unidos.


Meio século atrás, quando os americanos mais participavam de grupos cívicos, 4,1 milhões de homens passavam regularmente suas noites em lojas maçônicas de todo o país. Esse período, a partir do final dos anos 50 até o início dos anos 60, seria o pico de adesão à Maçonaria.

Todos os anos desde então, a adesão vem declinando, em linha com outras organizações de serviço. O número atual de membros? 1,4 Milhões.

Agora, porém, os líderes do grupo estão esperando que a publicação do mais recente livro de Dan Brown, "The Lost Symbol", cuja trama está ligada aos maçons, reavive o interesse no grupo. Neste último sábado, a maioria das 129 lojas maçônicas de Nova Jersey realizaram sessões abertas ao público para responder às perguntas de candidatos a membros.

A notícia de que Brown incluiria os maçons em seu mais recente romance inicialmente não agradou alguns maçons. Afinal, o autor ainda é visto como vilão em muitos círculos católicos devidos aos retratos sinistros em "O Código Da Vinci" de 2003, do grupo de leigos católicos Opus Dei, outro grupo que, como os maçons, sempre foi visto como excessivamente secreto. (Não ajudou em nada a premissa de "O Código Da Vinci", que afirmava ter Jesus se casado com Maria Madalena e tido descendentes).

Depois de ler resenhas de "The Lost Symbol", no entanto, os maçons parecem mais propensos a realizar um "Dia de Homenagem a Dan Brown" do que falar mal dele. O tratamento dos maçons no novo romance, lançado no mês passado é, em geral, positivo.

"Pelo que eu li, ele não critica os maçons. Trata-se apenas um par de maçons descaminhados que vão contra o código em que acreditamos", disse Mike Rems, Secretário da Loja Maçônica Jersey City. "Dan Brown, na verdade, respeita os maçons."

Historiadores discordam sobre a origem dos maçons. Muitos acreditam que os primeiros foram grupos organizados de pedreiros medievais. Após 1717, quando a primeira Grande Loja da Inglaterra foi fundada, o grupo tornou-se mais fácil de rastrear. Através dos três séculos seguintes, tornou-se uma organização internacional fraternal e de serviço, exigindo que seus membros acreditassem em um ser supremo, independentemente de qual religião, se fosse o caso, eles professassem.



Um busto de George Washington, primeiro presidente dos EUA e maçom, colocado em 21 de novembro de 2007 sobre um pedestal de granito nos jardins da Grande Loja Maçônica do Distrito de Colúmbia, em Washington, DC. A continuação do livro de sucesso "O Código Da Vinci" do romancista Dan Brown deve levantar o véu sobre misteriosos símbolos maçônicos esculpidos no tecido das ruas e prédios históricos da capital dos Estados Unidos. AFP PHOTO / Tim Sloan (O crédito da foto deve ser TIM SLOAN / AFP / Getty Images)


O livro "The Lost Symbol" envolve a figura de destaque nos livros anteriores de Brown, o simbologista de Harvard, Robert Langdon, tentando salvar seu mentor, um maçom de destaque, em uma aventura repleta de códigos, que se desenrola em Washington, DC.

Como a Opus Dei, os Maçons têm sido objeto de teorias da conspiração, muito antes de Brown tê-los usado como matéria para enredo. E ambos os grupos viram a necessidade de reagir à publicidade dos respectivos livros.

"O tratamento da Maçonaria por Dan Brown é extremamente positivo no livro The Lost Symbol, mas ele se dedica a algumas licenças dramáticas em função de seu enredo", escreveram líderes do grupo escreveu em um novo site, www.freemasonlostsymbol.com, criado para isso por The Masonic Society, The Masonic Service Association of North America e o George Washington Masonic Memorial.

Existem cerca de 28.500 maçons em Nova Jersey, contra 104.000 cinco décadas atrás, e 129 lojas, contra 270, disse Larry Plaskett, o Grande Secretário da organização no estado.

Nos últimos anos, a adesão em Nova Jersey diminuiu cerca de 1.200 pessoas a cada ano. Entre 800 e 1.000 pessoas aderem a cada ano, e cerca de 2.000 membros morrem, disse ele.

Muitas lojas têm acompanhado o deslocamento de seus membros para o subúrbio. Newark já teve 26 lojas maçônicas separadas, mas agora tem zero.

"Antigamente, todo mundo morava na cidade e trabalhava na cidade, e eles pertenciam à brigada dos bombeiros e pertenciam à loja", disse Plaskett. "À medida que nos tornamos uma sociedade transitória, as pessoas se mudaram."

Os maçons conhecem as abundantes teorias da conspiração: que os maçons conspiram para derrubar governos, favorecem uma Nova Ordem Mundial, promovem os interesses dos judeus, adoram Satanás, colocam códigos secretos em locais públicos, e informam somente membros do alto nível sobre estes assuntos. Autoridades do Vaticano há muito denunciam a Maçonaria e, mais recentemente, o cardeal Joseph Ratzinger, em 1983.

"É nossa própria culpa", disse Plaskett. "Ao longo dos anos, mantivemos esse véu de segredo, o que nunca precisamos fazer. ... Temos alguns (segredos) - nossos métodos de reconhecimento e senhas. A única coisa que realmente consideramos segredo é a nossa cerimônia de iniciação. Não somos este grupo que conspira para derrubar o mundo, como alguns sugerem. "

O grupo começou a se desmistificar conscientemente na década de 80, disse ele.

"Decidimos que realmente precisávamos ir mais a público , e deixar que as pessoas saibam quem somos. ... Nós somos vizinhos", disse Plaskett, "que se orgulham de seus serviços públicos, tais como fornecer kits de identificação gratuitos que podem ajudar a polícia a encontrar crianças perdidas ou desaparecidas."

Ela também se tornou culturalmente mais diversificado. "Quando ingressei, 38 anos atrás", disse Rems, da Loja Maçônica Jersey City, "os membros eram predominantemente brancos, e protestantes em sua maioria. Tínhamos membros judeus, mas nenhum membro negro, nem filipinos. Agora temos Filipinos, temos espanhol, peruano, equatoriano e um dos nossos ex-veneráveis veio de Sri Lanka. "

http://www.nj.com/news/index.ssf/2009/10/freemason_leaders_hope_dan_bro.html.


terça-feira, 29 de setembro de 2009

MÁQUINA DO TEMPO

O sol andava arisco, mas no domingo deu o ar da graça e aproveitei para ler o Estadão ao sol...

Acho que foi o calor esquentando o jornal. De repente, fui invadido pelo cheiro da tinta de impressão e descobri que a máquina do tempo não é ficção científica. Fui instantaneamente teletransportado através de uma dobra temporal, de volta às oficinas do Estadão - Major Quedinho - ano da graça de nosso senhor jesus cristo de hum mil novecentos e setenta.

Em 1969, quando entrei na Faculdade de Letras, eu trabalhava no Banco Geral do Comércio como pesquisador cadastral. Era ótimo. Acordava em Mogi das Cruzes, tomava o trem das dez, entrava no trabalho ao meio dia e saia à hora que queria. Geralmente às quatro da tarde e ia direto para a cidade universitária. Saia da faculdade às onze da noite e viajava de trem ou ônibus até Mogi aonde chegava por volta de uma da manhã. Era jovem e pouco ambicioso. Mas, ao final do ano, eu queria tirar férias e o contador não permitiu. Pedi demissão, pois pretendia viajar a Brasília com o Veloso, colega da faculdade.

Em 1970 estava desempregado. Fazia bicos como professor particular de inglês, dava aulas em cursinho, fazia pesquisas para a FIPE e o Marcio, colega de faculdade e amigo de meu irmão mais velho, Nicola, trabalhava na diretoria do jornal. Através dele consegui um "bico" de revisor uma vez por semana, na noite de sexta para sábado, das 12 às 6 da manhã.

Quase sempre saia da cidade universitária depois da aula, direto para o jornal. Ou, às vezes, quando matava aula, dava para fazer algum programa, ver uma sessão de cinema grátis no MASP, comer um lanche no Jota's na Major Sertório, bater um papo com amigos, coisas bem baratas porque eu vivia, como dizem os gaúchos, "mais duro que pau de preso"... Se não fosse um subsídio da dona Elza...

Mas, quando fui teletransportado até o jornal, ouvia nitidamente o som das rotativas e sentia o pungente cheiro de tinta de impressão daquelas noites em que o sono era o grande inimigo. Um cochilo, e um cinco passava por um seis, um erro de concordância passava batido, e na semana seguinte o jornal tinha que publicar o anúncio novamente, de graça. E o chefe não perdoava.

O jornal, como faz até hoje, publicava a maior parte dos anúncios na edição de domingo e os cadernos de classificados começavam a ser preparados na sexta, para impressão no sábado, e o volume de classificados crescia muito.

Os anúncios eram compostos nas linotipos, impressos em folhas soltas e vinham para nossas bancadas acompanhados da ordem de publicação, para serem verificados se correspondiam exatamente ao que havia sido solicitado. Tínhamos que verificar a redação do anúncio e a correção de dados, tais como telefones, preços, metragens, etc. Tudo ia bem nas primeiras três horas, mas depois disso, as pálpebras começavam a pesar toneladas, principalmente depois do lanchinho no meio da noite e apesar dos litros de café que tomávamos.

Pela manhã, eu cambaleava tonto de sono Consolação acima, para desabar em um colchão no apartamento do Nicola, ao lado do Cemitério. Eu desmaiava, literalmente. Acordava no fim da tarde, fazia um lanche, encontrava os colegas da faculdade para um bailinho ou coisa parecida, ou ia para Mogi, para a casa de meus pais, de olho no almoço do domingo, sempre farto.

Ganhava um salário mínimo para trabalhar quatro vezes por mês. E recebia o salário pelo finado Banco Nacional, na Avenida São Luis, quase esquina da Ipiranga. Banco bom... fazia-me sentir rico. Isso porque toda vez que eu ia sacar os caraminguás do Estadão, a ficha da minha conta parecia a ficha da conta do Bill Gates. Milhões e milhões de cruzeiros eram lançados na minha conta a crédito e a débito. Provavelmente minha conta era onde se faziam as maracutaias da agência do Banco. Desconfio que ao fim do dia, eles debitavam ou creditavam minha conta pelas diferenças apuradas na movimentação do dia. Assim, o balanço sempre fechava.

E eu, apesar de ser o homem mais rico da cidade, só podia sacar míseros 150 cruzeiros ou neo-cruzeiros...sei lá...

Foi bom enquanto durou, mas não durou muito. Assim que possível, procurei uma atividade diurna.

REALIDADE AUMENTADA

Definitivamente, os recursos de interpretação de imagem estão ficando cada vez mais futuristas.

Estava lendo no Link do Estadão sobre a nova "hype", a realidade aumentada e vi aquela série de matérias listadas nos links produzidos pela novidade da exposição da figura quadrada à webcam.

Mind-boggling, mate! Absolutamente fantástica a perspectiva aberta por esta tecnologia.

Fiquei imaginando um cenário...

Escritório moderno. Ligo a máquina. Ela "olha" para mim, analisa minha expressão, compara com um banco de dados de expressões sutis desenvolvido pelos israelenses, naturalmente ajustado para diferentes etnias, e emite um comentário audível: "Dormiu mal? Vamos ter que ter muita paciência hoje..." e se configura de acordo com a alternativa de setup "mau-humorado".

Daí começa a tomar providências para melhorar meu humor:

  1. Troca o papel de parede pela foto da Gisele Bündchen...
  2. Liga o som e começa a executar Mozart...
  3. Dispara uma mensagem de e-mail a meus contatos informando que só chegarei ao escritório à tarde...
  4. Ajusta o ar condicionado e a iluminação do escritório de acordo com as condições atmosféricas.

Daí, para espairecer, aciono o navegador Internet até o site da Gisele. A câmera captura minha imagem e um software no site compara meu rosto a um modelo de beleza definido pelo webmaster. E o site produz uma mensagem audível e visual: "Sorry, but you are too ugly to visit Gisele's site... Try Amy Whinehouse's."

Levanto-me para pegar uma pasta no arquivo e a câmera captura minha imagem e imediatamente exibe anúncios de lojas de roupas modernas... hummm! não sei o que ela quer dizer com isso...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O QUE É BOM PARA OS ESTADOS UNIDOS É BOM PARA O BRASIL...

 
Juracy Magalhães foi um gênio incompreendido... O tempo se encarregou de prová-lo.
 
Ontem, foi aprovado o Estatuto da Igualdade Racial.
 
Enquanto afro-descendente (tenho prova científica disso - análise de DNA mitocondrial - haplogrupo L1C3) não sei se isso é bom ou se é ruim, mas a julgar pela sociedade americana, o potencial de conflitos aumenta exponencialmente.
 
Agora, teremos varas de tribunal especializadas em crimes relacionados com afro-descendentes; cotas obrigatórias em empresas, em concursos públicos, em vestibulares...
 
Mas, curiosamente, não obriga o sistema bancário a destinar uma quota semelhante de sua carteira de empréstimos às empresas de afro-descendentes, o que seria uma providência muito mais eficiente para nossa integração, já que um dos aspectos mais terríveis da herança abolicionista foi o abandono em que foi lançada a população negra, sem acesso ao mercado de trabalho, sem acesso à propriedade, sem acesso às escolas, sem acesso...
 
Meu receio é que este estatuto crie as condições para a evolução social do país como dois Brasis, um branco e europeizado e outro pardo, sarará ou negro.
 
Eu odiaria ver isso...
 

O que a Maçonaria Precisa Preservar

Por Ir.´. Dewey H, Wollstein

Traduzido por José A. S. Filardo

(http://www.halpaus.net)


 

É bom fazer uma pausa, às vezes, e perguntar:

"De onde vem o meu amor pela Maçonaria?"

"O meu entusiasmo resulta da devoção a um nome, a uma instituição, ou ele vem do desejo de compreender os grandes princípios e ensinamentos, as verdades que permanecem hoje como eles vêm permanecendo desde a criação?"

As instituições tornaram-se grandes e poderosas somente para perder de vista os seus propósitos originais. Os valores numéricos têm sido o objetivo dessas instituições; elas se ramificaram em suas diversas ramificações e se tornaram arrogantes por causa daquele poder que representado por números. Sua influência política superou muito a sua influência espiritual. Os crimes mais hediondos foram cometidos por fanáticos religiosos. A história das perseguições ao longo dos séculos é a história da intolerância religiosa.

O desígnio da Maçonaria é desenvolver a individualidade, o pensamento individual, de modo que os homens possam se concentrar na substância e não na aparência. O trabalho da Maçonaria é preservar, não éditos frios, não alegações ociosas de infalibilidade, mas as coisas que asseguram à posteridade os direitos que são dados pelo GADU, e que só podem ser preservados nos corações de toda a humanidade.

A Maçonaria é a agência para a preservação de tudo o que é digno de ser preservado. Se os princípios são preservados, a agência não precisa se preocupar com o seu lugar no futuro.

sábado, 1 de agosto de 2009

Canção do Subdesenvolvido - Carlos Lyra

Recitativo:
O Brasil é uma terra de amores
Alcatifada de flores
Onde a brisa fala amores
Em lindas tardes de abril
Correi pras bandas do sul
Debaixo de um céu de anil
Encontrareis um gigante deitado

Santa Cruz... hoje o Brasil...
 
Canto:

Mas um dia o gigante despertou
Deixou de ser gigante adormecido
E dele um anão se levantou
Era um país subdesenvolvido
Subdesenvolvido, subdesenvolvido, etc. (refrão)

E passado o período colonial
O país se transformou num bom quintal
E depois de dadas as contas a Portugal
Instaurou-se o latifúndio nacional, ai!
Subdesenvolvido, subdesenvolvido (refrão)

Então o bravo povo brasileiro
Em perigos e guerras esforçado
Mais que prometia a força humana
Plantou couve, colheu banana..
Bravo esforço do povo brasileiro
Que importou capital lá do estrangeiro
Subdesenvolvido, subdesenvolvido... etc. (refrão)

As nações do mundo para cá mandaram
Os seus capitais desinteressados
As nações, coitadas, queriam ajudar
E aquela ilha velha ajudou também

País de pouca terra, só nos fez um bem
Um grande bem, um 'big' bem, bom, bem, bom
Nos deu luz, ah! Tirou ouro, oh!
Nos deu trem, ahhh! Mas levou o nosso tesouro
ooooh! Subdesenvolvido, subdesenvolvido... etc. (refrão)
Houve um tempo em que se acabaram
Os tempos duros e sofridos
Pois um dia aqui chegaram os capitais dos..
Estados Unidos
País amigo desenvolvido
País amigo, país amigo

Amigo do subdesenvolvido
País amigo, país amigo
E nossos amigos americanos
Com muita fé, com muita fé
Nos deram dinheiro e nós plantamos
Nada mais que café
E uma terra em que plantando tudo dá
Mas eles resolveram que a gente ia plantar
Nada mais que café

Bento que bento é o frade - frade!
Na boca do forno - forno!

Tirai um bolo - bolo!
Fareis tudo que seu mestre mandar?
Faremos todos, faremos todos...

E começaram a nos vender e a nos comprar
Comprar borracha - vender pneu
Comprar madeira - vender navio
Pra nossa vela - vender pavio
Só mandaram o que sobrou de lá
Matéria plástica,
Que entusiástica
Que coisa elástica,
Que coisa drástica
Rock-balada, filme de mocinho
Ar refrigerado e chiclet de bola
E coca-cola! Oh...
Subdesenvolvido, subdesenvolvido... etc. (refrão)

O povo brasileiro tem personalidade
Não se impressiona com facilidade
Embora pense como desenvolvido
Embora dance como desenvolvido
Embora cante como desenvolvido
Lá, lá, la, la, la, la
Êh, êh, meu boi
Êh, roçado bão 
O meior do meu sertão
Comeram o boi...
Subdesenvolvido, subdesenvolvido, etc. (refrão)

Tem personalidade!
Não se impressiona com facilidade
Embora pense, dance e cante como desenvolvido
O povo brasileiro
Não come como desenvolvido
Não bebe como desenvolvido
Vive menos, sofre mais
Isso é muito importante
Muito mais do que importante
Pois difere os brasileiros dos demais
Pela... personalidade, personalidade
Personalidade sem igual
Porém... subdesenvolvida, subdesenvolvida
E essa é que é a vida nacional!
....´....

domingo, 26 de julho de 2009

Risotto Bresilien – Pour Colombe

(Excusé moi le mauvais français)


 

Ingrédients (6 personnes) 


• 60 ml d'huile de palme (dendê)
• 2 oignons moyennes, coupé en cubes 
• 15 g d'ail (deux dents) 
• 400 grammes de riz arborio 
• 70 ml de vin blanc 
• 2 litres de bouillon de crevettes (Chauffez 2 l d'eau et incorporez 3 cubes de bouillon.
• 150 ml de lait de coco 
• 150 g de piment vert, coupé en cubes 
• 200 g de tomates sans peau, mûres, hachées 
• 300 g de-crevettes, nettoyés 
• 300 g de calamars en anneaux 
• 300 g de pétoncle 
• coriandre au goût (une cuillère à soupe est bonne. ... Si vous aimez plus fort...) 
• sel au goût 
• piment au goût 

Préparation 


Rappelez-vous que l'une des meilleures pratiques dans la cuisine est appelé Mise en Place: Préparer tous les ingrédients avant de commencer à préparer le plat. Hacher l'oignon et les séparer. Hacher le piment vert et le séparer. Prendre la peau e couper les tomates et les sépararer. Mesurer du vin et de l'huille de palme. Nettoyer les crevettes, couper la coriandre, etc. etc. 


Faire cuire les calmars dans une cocotte pendant 15 minutes et réserver.

Préparer le bouillon de crevettes (trois cubes en deux litres d'eau) mis à bouillir. 

Verser le huille de palme dans le pot. Placer l'oignon et l'ail et braiser jusqu'à ce que l'oignon soit tendre. Puis, ajouter le riz et les braiser. Verser le vin banc – atendre s'évaporer - et le bouillon de crevettes et laisser cuire a feux doux. Placer de la moitié du piment vert, la tomate et coriandre et laisser bouillir. 
Lorsque le riz est presque fini (al dente), ajouter les calmars, les pétoncles, les crevettes, le reste de piment vert, de la tomate et coriandre. 

Ajouter le lait de coco, verifier la sel (corriger si nécessaire). 

Attender que le liquide soit absorbé et cela jusqu'à la fin de la cuission du riz arborio et le servir avec un bon vin blanc ... 

Ajouter la pimente rouge (facultatif, car ça depend du goût de chacun).

sábado, 25 de julho de 2009

Risoto de Frutos do Mar à Brasileira


 

Ingredientes (6 porções)

  • 60 ml de azeite de dendê
  •  2 cebolas, cebola média, picada em cubinhos
  •  15 g de alho (dois dentes)
  •  400 g de arroz arbóreo
  •  70 ml de vinho branco
  •  2 litros de caldo de camarão (três cubinhos em 2 litros de água)
  • 150 ml de Leite de Côco
  •  150 g de pimentão verde, picado em cubinhos
  •  200 g de tomate Débora, sem pele, maduro, picado
  •  300 g de camarão sete-barbas, limpo
  •  300 g de lula, em anéis
  •  300 g de vieiras
  •  coentro a gosto (uma colher de sopa está bom. Se gostar mais forte...)
  •  Sal temperado a gosto
  •  pimenta a gosto


     

    Preparo

    Lembre-se que uma das Melhores Práticas em cozinha é o chamado Mise em Place: preparar todos os ingredientes antes de começar a preparar o prato. Picar a cebola e separar. Picar o pimentão e separar. Tirar a pele, picar o tomate e separar. Medir o vinho e o dendê. Limpar o camarão, cortar o coentro, etc. etc.

    Cozinhe a lula em panela de pressão por 15 minutos e reserve.

    Prepare o caldo de camarão (três cubinhos em dois litros de água) coloque para ferver.

    Coloque o dendê na panela. Aqueça. Coloque a cebola e o alho e refogue até que a cebola esteja macia. Aí adicione o arroz e refogue. Acrescente o vinho branco e espere evaporar. Adicione o caldo de camarão e deixe levantar fervura. Coloque a metade do pimentão, do tomate e do coentro e deixe ferver.

    Quando o arroz estiver quase pronto ("al denti"), acrescente a lula, as vieiras, o camarão, o restante do pimentão, do tomate e do coentro.

    Acrescente o leite de coco, prove o sal (corrija se necessário) e coloque a pimenta.

    Espere apurar e sirva com um bom vinho branco gelado...


     

    Bom apetite...

Carta # 187 de Tom Foreman ao Presidente Obama

Caro Sr. Presidente,

Como você deve se lembrar, venho tentando mantê-lo atualizado sobre os grandes filmes que minha família tem assistido durante este verão. Minha filha mais nova veio com a idéia, e fizemos progressos razoáveis. Talvez, se você parasse de me fazer ficar até tarde no trabalho, criando notícias com maior freqüência, talvez pudéssemos fazer ainda mais progresso. Ha! Enfim, a seleção desta semana é uma espécie estranha para meados do Verão, (falando nisso, também vimos aquele novo filme "500 Dias de Verão" alguns dias atrás ... excelente! Realmente bem escrito, desempenhado, dirigido. Quatro polegares para acima da família Foreman!) Mas, mesmo assim, um favorito: "Doctor Jivago".

Agora eu sei porque este filme tem sido muito elogiado pela sua bela cinematografia, natureza épica, o pano de fundo da revolução russa, as incríveis cenas de Inverno, o drama da vida em grandes ocasiões. É tudo maravilhoso de ser visto, mas o que eu mais amo nesse filme é uma única linha, a maneira como Komarovski descreve Jivago: "Existem dois tipos de homens e somente dois. E esse rapaz é um dos tipos. Ele tem um espírito elevado. Ele é puro. Ele é o tipo de homem que o mundo finge olhar de baixo para cima, e, de fato, despreza. "

Não procure qualquer significado oculto ou secreto na minha menção disso. Eu não estou escrevendo com um aceno de cabeça e uma piscadela em sua direção, ou um comentário desairoso. Eu só acho que a citação pode ter um grande significado em qualquer fase da vida, para qualquer pessoa que aspire a bondade.

Temos que ensinar boas maneiras às nossas filhas, como ser decente, se preocupar com os seres humanos. Às vezes, isto as coloca em desacordo com algum grupo que queira fazer o contrário, e como resultado, elas sofrem rejeição em algum círculo social, assim como eu sofri.

Nestes momentos, eu mencionava aquela citação. Eu lhes digo que ser bom pode, com freqüência, significar ser solitário. Se lutar por grandeza, você deve estar ciente de que nem todos compartilham aquele objetivo, e alguns vão se ressentir de você por isso. Às vezes, você fará a coisa certa em uma busca pela excelência, na defesa da justiça, ou por simples compaixão por outra pessoa, e você pode ser ridicularizado por isso. Faça assim mesmo. Ser solitário, impopular, mesmo empurrado para fora do campo é melhor do que trair as coisas em que você acredita, e a confiança daqueles que acreditam em você.

Talvez eu esteja lendo demasiado naquele velho filme. Mas, espero por aquela linha o tempo todo, e em uma estranha forma, ela me conforta. Portanto, se você quiser vir assistir o filme, telefone. Guardaremos um lugar. Ou quatro, se quiser trazer a família.

Atenciosamente,

Tom

http://edition.cnn.com/CNN/anchors_reporters/foreman.tom.html

sexta-feira, 17 de julho de 2009

EL MUNDO SEGUN CASCIARI

Hernán Casciari es argentino, actualmente corresponsal de EL PAÍS de España. Esta es su interpretación de la relación entre países. Para compartir.

Leí una vez que la Argentina no es mejor ni peor que España, sólo más joven. Me gustó esa teoría y entonces inventé un truco para descubrir la edad de los países basándome en el 'sistema perro'.

Desde chicos nos explicaron que para saber si un perro era joven o viejo había que multiplicar su edad biológica por 7. En el caso de los países hay que dividir su edad histórica entre 14 para saber su correspondencia humana. ¿Confuso?

En este artículo pongo algunos ejemplos reveladores.

Argentina nació en 1816, por lo tanto ya tiene 190 años. Si lo dividimos entre 14, Argentina tiene 'humanamente' alrededor de 13 años y medio, o sea, está en la edad del pavo.

Es rebelde, pajera, no tiene memoria, contesta sin pensar y está llena de acné (¿será por eso que le dicen el granero del mundo?

Casi todos los países de América Latina tienen la misma edad y, como pasa siempre en esos casos, forman pandillas.

La pandilla del Mercosur son cuatro adolescentes que tienen un conjunto de rock. Ensayan en un garaje, hacen mucho ruido y jamás han sacado un disco.

Venezuela, que ya tiene tetitas, está a punto de unirse a ellos para hacer los coros. En realidad, como la mayoría de las chicas de su edad, quiere tener sexo, en este caso con Brasil, que tiene 14 años y el miembro grande.

México también es adolescente, pero con ascendente indígena. Por eso se ríe poco y no fuma ni un inofensivo porro, como el resto de sus amiguitos, sino que mastica peyote, y se junta con Estados Unidos, un retrasado mental de 17, que se dedica a atacar a los chicos hambrientos de 6 añitos en otros continentes.

En el otro extremo está la China milenaria. Si dividimos sus 1,200 años por 14 obtenemos una señora de 85, conservadora, con olor a pipí de gato, que se la pasa comiendo arroz porque no tiene -por ahora- para comprarse una dentadura postiza. La China tiene un nieto de 8 años, Taiwán, que le hace la vida imposible.

Está divorciada desde hace rato de Japón, un viejo cascarrabias, que se juntó con Filipinas, una jovencita pendeja, que siempre está dispuesta a cualquier aberración a cambio de dinero.

Después, están los países que acaban de cumplir la mayoría de edad y salen a pasear en el BMW del padre. Por ejemplo, Australia y Canadá, típicos países que crecieron al amparo de papá Inglaterra y mamá Francia, con una educación estricta y concheta, y que ahora se hacen los locos. Australia es una pendeja de poco más de 18 años, que hace topless y tiene sexo con Sudáfrica; mientras que Canadá es un chico gay emancipado, que en cualquier momento adopta al bebé Groenlandia para formar una de esas familias alternativas que están de moda.

Francia es una separada de 36 años, más puta que las gallinas, pero muy respetada en el ámbito profesional. Tiene un hijo de apenas 6 años: Mónaco, que va camino de ser puto o bailarín... o ambas cosas. Es amante esporádica de Alemania, camionero rico que está casado con Austria, que sabe que es cornuda, pero no le importa.

Italia es viuda desde hace mucho tiempo. Vive cuidando a San Marino y al Vaticano, dos hijos católicos idénticos a los mellizos de los Flanders. Estuvo casada en segundas nupcias con Alemania (duraron poco: tuvieron a Suiza), pero ahora no quiere saber nada con los hombres.

A Italia le gustaría ser una mujer como Bélgica: abogada, independiente, que usa pantalón y habla de política de tú a tú con los hombres (Bélgica también fantasea a veces con saber preparar espaguettis).

España es la mujer más linda de Europa (posiblemente Francia le haga sombra, pero pierde espontaneidad por usar tanto perfume).. Anda mucho en tetas y va casi siempre borracha. Generalmente se deja follar por Inglaterra y Después hace la denuncia.

España tiene hijos por todas partes (casi todos de 13 años), que viven lejos. Los quiere mucho, pero le molesta que, cuando tienen hambre, pasen una temporada en su casa y le abran la nevera.

Otro que tiene hijos desperdigados es Inglaterra. Sale en barco por la noche, se tira a las pendejas y a los nueve meses aparece una isla nueva en alguna parte del mundo. Pero no se desentiende de ella. En general las islas viven con la madre, pero Inglaterra les da de comer. Escocia e Irlanda, los hermanos de Inglaterra que viven en el piso de arriba, se pasan la vida borrachos y ni siquiera saben jugar al fútbol. Son la vergüenza de la familia.

Suecia y Noruega son dos lesbianas de casi 40 años, que están buenas de cuerpo, a pesar de la edad, pero no le dan bola a nadie. Cojen y trabajan, pues son licenciadas en algo. A veces hacen trío con Holanda (cuando necesitan porro); otras, le histeriquean a Finlandia, que es un tipo medio andrógino de 30 años, que vive solo en un ático sin amueblar y se la pasa hablando por el móvil con Corea.

Corea (la del sur) vive pendiente de su hermana esquizoide. Son mellizas, pero la del norte tomó líquido amniótico cuando salió del útero y quedó estúpida. Se pasó la infancia usando pistolas y ahora, que vive sola, es capaz de cualquier cosa.

Estados Unidos, el retrasadito de 17, la vigila mucho, no por miedo, sino porque le quiere quitar sus pistolas.

Israel es un intelectual de 62 años que tuvo una vida de mierda. Hace unos años, Alemania, el camionero, no lo vio y se lo llevó por delante. Desde ese día Israel se puso como loco.

Ahora, en vez de leer libros, se lo pasa en la terraza tirándole piedras a Palestina, que es una chica que está lavando la ropa en la casa de al lado.

Irán e Irak eran dos primos de 16 que robaban motos y vendían los repuestos, hasta que un día le robaron un repuesto a la motoneta de Estados Unidos y se les acabó el negocio. Ahora se están comiendo los mocos.

El mundo estaba bien así, hasta que un día Rusia se juntó (sin casarse) con la Perestroika y tuvieron como docena y media de hijos. Todos raros, algunos mongólicos, otros esquizofrénicos.

Hace una semana, y gracias a un despelote con tiros y muertos, los habitantes serios del mundo descubrimos que hay un país que se llama Kabardino-Balkaria. Un país con bandera, presidente, himno, flora, fauna....y ¡hasta gente!

A mí me da un poco de miedo que aparezcan países de corta edad, así, de repente. Que nos enteremos de costado y que, incluso, tengamos que poner cara de que ya sabíamos, para no quedar como ignorantes Y yo me pregunto:

¿Por qué siguen naciendo países, si los que hay todavía No funcionan?

TORTA MARRAKESH


La torta Marrakesh è uno dei dolci marocchini più veloci e semplici da preparare. Il suo nome indica le sue origini. Se vi piacciono datteri e fichi, è il dessert che fa per voi. Provatelo!



Ingredienti:
- 200 gr di farina
- 100 gr di burro
- 3 uova
- 1 bustina di lievito di birra
- 100 gr di zucchero
- 100 gr di miele liquido
- un po’ di cannella
- 100 gr di datteri
- 100 gr di fichi secchi
- il succo di un'arancia

Preparazione:
Mescolare lo zucchero con le uova e aggiungere gradualmente la farina con il lievito di birra. Mettere anche il burro precedentemente fuso, la cannella, il miele liquido e il succo d'arancia e girare finché non si forma un composto omogeneo.

Tagliuzzare in piccoli pezzi i datteri e i fichi secchi e aggiungerli all’impasto. Versare la preparazione in una teglia rotonda e coprire il tutto con carta da forno oleata. Quindi infornare in forno preriscaldato a 140°C e lasciar cuocere per circa 40 minuti.(F-SI)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

As Marcas do Universo

Pronunciamento do Grão-Mestre Geral do GOB, Soberano Irmão Marcos José da Silva, em 25 de junho de 2009.

Estamos no momento do solstício de inverno, nós, aqui do Hemisfério Sul, nesta época do ano em que o sol, em seu movimento aparente, tendo se afastado o mais possível em direção ao Norte do planeta, estaciona um pouco no limite estabelecido pelo Trópico de Câncer, antes de iniciar seu retorno em direção à linha do Equador.

Os dias vão aos poucos ficando mais longos nesta parte do mundo, passaremos ao horário de verão, o tempo voltará a esquentar até que, em dezembro, o Sol encontre o círculo de Capricórnio, seu limite máximo para o sul, a segunda linha de onde ele não irá adiante e, depois de um breve descanso, retornará sua caminhada para o Norte.

O astro central do Sistema Solar, que distribui a luz o calor e a vida à Terra, tendo sob o seu controle os planetas que, jungidos à lei da atração universal, giram a seu redor e são incapazes de mudar suas órbitas, esse mesmo Sol submete-se, simbolicamente, é claro, ás balizas montadas pela organização cósmica, respeitando-as como nós respeitamos os landmarques da Ordem.

Parece que o Universo, visto daqui, procura estimular os Maçons, e talvez a humanidade, a respeitar os limites de conduta, de desejos e de pensamento, e cultivar a fidelidade aos princípios e á lealdade aos compromissos assumidos perante a Ordem, ou sejam, os landmarques, as leis, os usos e os costumes tradicionais.

Na disciplina da alma repousa a vitória do processo iniciático, motivo principal do justo sacrifício que a Maçonaria cobra de todos os seus adeptos. Que cada Irmão, diante de impedimento ético ou moral sinta-se diante da linha não passarás - sem violar aquele juramento solene e livremente assumido!"

25.06.2009
Grão-Mestre Geral Marcos José da Silva

sábado, 20 de junho de 2009

FRACASSO

Meus bolinhos de bacalhau foram um fracasso total no almoço.
 
Meus bolinhos de arroz ao forno ficaram sem sal (esqueci de verificar o sal antes de fazer os bolinhos. Esqueci também de empaná-los em farinha de rosca...)
 
Hoje foi um dia negro na minha nova atividade.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Je m’en fou!

Quando recebi a notícia da morte de minha mãe, lembrei-me imediatamente das primeiras linhas da obra L'Etranger de Camus, "Aujourd'hui maman est morte...".

Daí, procurei, baixei o livro e pus-me a ler. São apenas 60 páginas, ou seja, dois dias de leitura, no máximo.

Um livro seco, na primeira pessoa, é um caso de Transtorno de Personalidade Esquizóide (TPE).

O estranho é que eu sempre achei que sofria de uma forma leve de TPE, e assim identifiquei-me bastante com a personagem de Camus.

Mersault (a personagem) tinha o que hoje conhecido na França como "je m'enfoutisme" que em português seria traduzido como "Tô-nem-aismo" uma doença da atual geração alienada criada pela globalização.

Para ele, nada tem importância; é indiferente a tudo, até mesmo à sua sorte.

Ao cometer um crime de morte (assassinou um árabe a tiros) ele é julgado pelo crime, mas o que vem a pesar realmente em sua condenação é a sua atitude durante o funeral de sua mãe. Naquele momento, sua personalidade esquizóide o levara a agir no funeral como se um estranho estivesse sendo enterrado, e isso é trazido à baila no julgamento e ele é transformado em um monstro insensível e condenado à guilhotina.

Bão. Eu não chego a tanto, mas desde garoto minha atitude em relação a quase tudo tem sido caracterizada por certo jemenfoutisme, ou de um traço de TPE. No fundo acho que é um mecanismo de defesa contra o sofrimento.

A ausência de envolvimento emocional é o aspecto principal, com todas as suas conseqüências. E um custo alto.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Barbas de molho...

Às vezes a gente tem a impressão de que está na marca do penalti.

Este ano tem sido particularmente marcado pelas reflexões relacionadas com a vida e a morte.

No início do ano, minha mãe, com 88 anos de idade foi internada ficando dez dias no Santa Catarina. Depois da alta, passou dois meses em minha casa, em convalescença com boa recuperação. Depois, com a volta da Maria do Carmo que estava na Alemanha fazendo um curso, ela foi para a casa dela onde ficou até decidir retornar a Caconde.

Bad idea... mas, ela estava decidida e não pudemos evitar.

O problema que víamos é que fora de nosso controle, ela poderia baixar a guarda e amolecer no tratamento. A família Souza não é famosa pela disciplina.

Além disso, em que pese a tranqüilidade e o ar puro, Caconde padece de absoluta falta de recursos médicos. O hospital decente mais próximo está a 200 km de distância.

Assim, no dia 23 lá estava ela de volta a São Paulo com uma infecção urinária que a levou de volta ao hospital por mais uma semana. Dois dias depois da alta, ela entrou em colapso pulmonar e sua condição cardíaca que era crítica a levou a óbito na noite de 29 para 30 de Maio.

No dia 20, a Dona Irma, mãe da Edna, fora internada também com pneumonia e ficou no hospital até o dia 29. Agora ela está aqui, na minha casa, sob os cuidados da Edna.

Esta manhã fui à padaria comprar leite e ouvi sobre o avião da Air France... um arrepio me passou pela espinha...

Eu vinha planejando uma viagem à Itália desde o ano passado, que iria acontecer de 30 de Maio a 15 de Junho. A viagem foi cancelada em virtude da crise econômica, não da crise de saúde na família.

Mas, eu fico pensando que se nada houvesse acontecido e a viagem tivesse sido mantida, considerando minha simpatia pela França e as tarifas muito interessantes da Air France, havia uma possibilidade muito grande de que eu e a Edna estivéssemos neste vôo que desapareceu no Atlântico.

Acho que tenho que por o rabo de molho...

In the mood...

Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta e cidadão


 

A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
De repente não tinha pai.
No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor tua lembrança
Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna
Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta
De Augusto geralmente procrastinava a tarde.
Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
Rangia nos trilhos a muitas praias de distância
Dizíamos: "E-vem meu pai!" Quando a curva
Se acendia de luzes semoventes, ah, corríamos
Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes
Mas ser marraio em teus braços, sentir por último
Os doces espinhos da tua barba.
Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e paciência
Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura
De quem se deixou ser. Teus ombros possantes
Se curvavam como ao peso da enorme poesia
Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos
Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios
Para o cotidiano (e freqüentemente o binóculo
Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
Mirando o mar). Dize-me, meu pai
Que viste tantos anos através do teu óculo-de-alcance
Que nunca revelaste a ninguém?
Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o atleta exausto no último lance da maratona.
Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais
Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa humilde
A um gesto do mar. A noite se fechava
Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.

*



Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando o mar
Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios
Buscavam ilhas, outras ilhas... – as imaculadas, inacessíveis
Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar
E trazer – depositar aos pés da amada as jóias fulgurantes
Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles
Dos mais provectos. Muitas vezes te vi, comandante
Comandar, batido de ventos, perdido na fosforescência
De vastos e noturnos oceanos
Sem jamais.

Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar
Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas
Teu amor inventou. Financiaste uma lancha
Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
Para um brasil além, garimpeiro, sem medo e sem mácula.
Doze luas voltaste. Tua primogênita – diz-se –
Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas águas-marinhas.
Não eram, meu pai. A mim me deste
Águas-marinhas grandes, povoadas de estrelas, ouriços
E guaiamus gigantes. A mim me deste águas-marinhas
Onde cada concha carregava uma pérola. As águas-marinhas que me deste
Foram meu primeiro leito nupcial.

*



           Eras, meu pai morto
           Um grande Clodoaldo
           Capaz de sonhar
           Melhor e mais alto
           Precursor do binômio
           Que reverteria
           Ao nome original
           Semente do sêmen
           Revolucionário
           Gentil-homem insigne
           Poeta e funcionário
           Sempre preterido
           Nunca titular
           Neto de Alexandre
           Filho de Maria
           Cônjuge de Lydia
           Pai da Poesia.

*



Diante de ti homem não sou, não quero ser. És pai do menino que eu fui.
Entre minha barba viva e a tua morta, todavia crescendo
Há um toque irrealizado. No entanto, meu pai
Quantas vezes ao ver-te dormir na cadeira de balanço de muitas salas
De muitas casas de muitas ruas
Não te beijei em meu pensamento! Já então teu sono
Prenunciava o morto que és, e minha angústia
Buscava ressuscitar-te. Ressuscitavas. Teu olhar
Vinha de longe, das cavernas imensas do teu amor, aflito
Como a querer defender. Vias-me e sossegavas.
Pouco nos dizíamos: "Como vai?". Como vais, meu pobre pai
No teu túmulo? Dormes, ou te deixas
A contemplar acima – eu bem me lembro! – perdido
Na decifração de como ser?
Ah, dor! Como quisera
Ser de novo criança em teus braços e ficar admirando tuas mãos!
Como quisera escutar-te de novo cantar criando em mim
A atonia do passado! Quantas baladas, meu pai
E que lindas! Quem te ensinou as doces cantigas
Com que embalavas meu dormir? Voga sempre o leve batel
A resvalar macio pelas correntezas do rio da paixão?
Prosseguem as donzelas em êxtase na noite à espera da barquinha
Que busca o seu adeus? E continua a rosa a dizer à brisa
Que já não mais precisa os beijos seus?
Calaste-te, meu pai. No teu ergástulo
A voz não é – a voz com que me apresentavas aos teus amigos:
"Esse é meu filho FULANO DE TAL". E na maneira
De dizê-lo – o vôo, o beijo, a bênção, a barba
Dura rocejando a pele, ai!

*



Tua morte, como todas, foi simples.
É coisa simples a morte. Dói, depois sossega. Quando sossegou –
Lembro-me que a manhã raiava em minha casa – já te havia eu
Recuperado totalmente: tal como te encontras agora, vestido de mim.
Não és, como não serás nunca para mim
Um cadáver sob um lençol.
És para mim aquele de quem muitos diziam: "É um poeta…"
Poeta foste, e és, meu pai. A mim me deste
O primeiro verso à namorada. Furtei-o
De entre teus papéis: quem sabe onde andará… Fui também
Verso teu: lembro ainda hoje o soneto que escreveste celebrando-me
No ventre materno. E depois, muitas vezes
Vi-te na rua, sem que me notasses, transeunte
Com um ar sempre mais ansioso do que a vida. Levava-te a ambição
De descobrir algo precioso que nos dar.
Por tudo o que não nos deste
Obrigado, meu pai.
Não te direi adeus, de vez que acordaste em mim
Com uma exatidão nunca sonhada. Em mim geraste
O Tempo: aí tens meu filho, e a certeza
De que, ainda obscura, a minha morte dá-lhe vida
Em prosseguimento à tua; aí tens meu filho
E a certeza de que lutarei por ele. Quando o viste a última vez
Era um menininho de três anos. Hoje cresceu
Em membros, palavras e dentes. Diz de ti, bilíngüe:
"Vovô was always teasing me…"
É meu filho, teu neto. Deste-lhe, em tua digna humildade
Um caminho: o meu caminho. Marcha ela na vanguarda do futuro
Para um mundo em paz: o teu mundo – o único em que soubeste viver;
aquele que, entre lágrimas, cantos e martírios, realizaste à tua volta.


 


in Antologia Poética
in Poesia completa e prosa: "Nossa Senhora de Los Angeles"