terça-feira, 29 de setembro de 2009

MÁQUINA DO TEMPO

O sol andava arisco, mas no domingo deu o ar da graça e aproveitei para ler o Estadão ao sol...

Acho que foi o calor esquentando o jornal. De repente, fui invadido pelo cheiro da tinta de impressão e descobri que a máquina do tempo não é ficção científica. Fui instantaneamente teletransportado através de uma dobra temporal, de volta às oficinas do Estadão - Major Quedinho - ano da graça de nosso senhor jesus cristo de hum mil novecentos e setenta.

Em 1969, quando entrei na Faculdade de Letras, eu trabalhava no Banco Geral do Comércio como pesquisador cadastral. Era ótimo. Acordava em Mogi das Cruzes, tomava o trem das dez, entrava no trabalho ao meio dia e saia à hora que queria. Geralmente às quatro da tarde e ia direto para a cidade universitária. Saia da faculdade às onze da noite e viajava de trem ou ônibus até Mogi aonde chegava por volta de uma da manhã. Era jovem e pouco ambicioso. Mas, ao final do ano, eu queria tirar férias e o contador não permitiu. Pedi demissão, pois pretendia viajar a Brasília com o Veloso, colega da faculdade.

Em 1970 estava desempregado. Fazia bicos como professor particular de inglês, dava aulas em cursinho, fazia pesquisas para a FIPE e o Marcio, colega de faculdade e amigo de meu irmão mais velho, Nicola, trabalhava na diretoria do jornal. Através dele consegui um "bico" de revisor uma vez por semana, na noite de sexta para sábado, das 12 às 6 da manhã.

Quase sempre saia da cidade universitária depois da aula, direto para o jornal. Ou, às vezes, quando matava aula, dava para fazer algum programa, ver uma sessão de cinema grátis no MASP, comer um lanche no Jota's na Major Sertório, bater um papo com amigos, coisas bem baratas porque eu vivia, como dizem os gaúchos, "mais duro que pau de preso"... Se não fosse um subsídio da dona Elza...

Mas, quando fui teletransportado até o jornal, ouvia nitidamente o som das rotativas e sentia o pungente cheiro de tinta de impressão daquelas noites em que o sono era o grande inimigo. Um cochilo, e um cinco passava por um seis, um erro de concordância passava batido, e na semana seguinte o jornal tinha que publicar o anúncio novamente, de graça. E o chefe não perdoava.

O jornal, como faz até hoje, publicava a maior parte dos anúncios na edição de domingo e os cadernos de classificados começavam a ser preparados na sexta, para impressão no sábado, e o volume de classificados crescia muito.

Os anúncios eram compostos nas linotipos, impressos em folhas soltas e vinham para nossas bancadas acompanhados da ordem de publicação, para serem verificados se correspondiam exatamente ao que havia sido solicitado. Tínhamos que verificar a redação do anúncio e a correção de dados, tais como telefones, preços, metragens, etc. Tudo ia bem nas primeiras três horas, mas depois disso, as pálpebras começavam a pesar toneladas, principalmente depois do lanchinho no meio da noite e apesar dos litros de café que tomávamos.

Pela manhã, eu cambaleava tonto de sono Consolação acima, para desabar em um colchão no apartamento do Nicola, ao lado do Cemitério. Eu desmaiava, literalmente. Acordava no fim da tarde, fazia um lanche, encontrava os colegas da faculdade para um bailinho ou coisa parecida, ou ia para Mogi, para a casa de meus pais, de olho no almoço do domingo, sempre farto.

Ganhava um salário mínimo para trabalhar quatro vezes por mês. E recebia o salário pelo finado Banco Nacional, na Avenida São Luis, quase esquina da Ipiranga. Banco bom... fazia-me sentir rico. Isso porque toda vez que eu ia sacar os caraminguás do Estadão, a ficha da minha conta parecia a ficha da conta do Bill Gates. Milhões e milhões de cruzeiros eram lançados na minha conta a crédito e a débito. Provavelmente minha conta era onde se faziam as maracutaias da agência do Banco. Desconfio que ao fim do dia, eles debitavam ou creditavam minha conta pelas diferenças apuradas na movimentação do dia. Assim, o balanço sempre fechava.

E eu, apesar de ser o homem mais rico da cidade, só podia sacar míseros 150 cruzeiros ou neo-cruzeiros...sei lá...

Foi bom enquanto durou, mas não durou muito. Assim que possível, procurei uma atividade diurna.

REALIDADE AUMENTADA

Definitivamente, os recursos de interpretação de imagem estão ficando cada vez mais futuristas.

Estava lendo no Link do Estadão sobre a nova "hype", a realidade aumentada e vi aquela série de matérias listadas nos links produzidos pela novidade da exposição da figura quadrada à webcam.

Mind-boggling, mate! Absolutamente fantástica a perspectiva aberta por esta tecnologia.

Fiquei imaginando um cenário...

Escritório moderno. Ligo a máquina. Ela "olha" para mim, analisa minha expressão, compara com um banco de dados de expressões sutis desenvolvido pelos israelenses, naturalmente ajustado para diferentes etnias, e emite um comentário audível: "Dormiu mal? Vamos ter que ter muita paciência hoje..." e se configura de acordo com a alternativa de setup "mau-humorado".

Daí começa a tomar providências para melhorar meu humor:

  1. Troca o papel de parede pela foto da Gisele Bündchen...
  2. Liga o som e começa a executar Mozart...
  3. Dispara uma mensagem de e-mail a meus contatos informando que só chegarei ao escritório à tarde...
  4. Ajusta o ar condicionado e a iluminação do escritório de acordo com as condições atmosféricas.

Daí, para espairecer, aciono o navegador Internet até o site da Gisele. A câmera captura minha imagem e um software no site compara meu rosto a um modelo de beleza definido pelo webmaster. E o site produz uma mensagem audível e visual: "Sorry, but you are too ugly to visit Gisele's site... Try Amy Whinehouse's."

Levanto-me para pegar uma pasta no arquivo e a câmera captura minha imagem e imediatamente exibe anúncios de lojas de roupas modernas... hummm! não sei o que ela quer dizer com isso...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O QUE É BOM PARA OS ESTADOS UNIDOS É BOM PARA O BRASIL...

 
Juracy Magalhães foi um gênio incompreendido... O tempo se encarregou de prová-lo.
 
Ontem, foi aprovado o Estatuto da Igualdade Racial.
 
Enquanto afro-descendente (tenho prova científica disso - análise de DNA mitocondrial - haplogrupo L1C3) não sei se isso é bom ou se é ruim, mas a julgar pela sociedade americana, o potencial de conflitos aumenta exponencialmente.
 
Agora, teremos varas de tribunal especializadas em crimes relacionados com afro-descendentes; cotas obrigatórias em empresas, em concursos públicos, em vestibulares...
 
Mas, curiosamente, não obriga o sistema bancário a destinar uma quota semelhante de sua carteira de empréstimos às empresas de afro-descendentes, o que seria uma providência muito mais eficiente para nossa integração, já que um dos aspectos mais terríveis da herança abolicionista foi o abandono em que foi lançada a população negra, sem acesso ao mercado de trabalho, sem acesso à propriedade, sem acesso às escolas, sem acesso...
 
Meu receio é que este estatuto crie as condições para a evolução social do país como dois Brasis, um branco e europeizado e outro pardo, sarará ou negro.
 
Eu odiaria ver isso...
 

O que a Maçonaria Precisa Preservar

Por Ir.´. Dewey H, Wollstein

Traduzido por José A. S. Filardo

(http://www.halpaus.net)


 

É bom fazer uma pausa, às vezes, e perguntar:

"De onde vem o meu amor pela Maçonaria?"

"O meu entusiasmo resulta da devoção a um nome, a uma instituição, ou ele vem do desejo de compreender os grandes princípios e ensinamentos, as verdades que permanecem hoje como eles vêm permanecendo desde a criação?"

As instituições tornaram-se grandes e poderosas somente para perder de vista os seus propósitos originais. Os valores numéricos têm sido o objetivo dessas instituições; elas se ramificaram em suas diversas ramificações e se tornaram arrogantes por causa daquele poder que representado por números. Sua influência política superou muito a sua influência espiritual. Os crimes mais hediondos foram cometidos por fanáticos religiosos. A história das perseguições ao longo dos séculos é a história da intolerância religiosa.

O desígnio da Maçonaria é desenvolver a individualidade, o pensamento individual, de modo que os homens possam se concentrar na substância e não na aparência. O trabalho da Maçonaria é preservar, não éditos frios, não alegações ociosas de infalibilidade, mas as coisas que asseguram à posteridade os direitos que são dados pelo GADU, e que só podem ser preservados nos corações de toda a humanidade.

A Maçonaria é a agência para a preservação de tudo o que é digno de ser preservado. Se os princípios são preservados, a agência não precisa se preocupar com o seu lugar no futuro.