sábado, 31 de julho de 2010

CORREIOS, QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ

Bom dia Tatiane,
 
obrigado ao Estadão e a vocês.  Pelo menos o correio se dignou de responder ao meu desabafo.
 
Em um primeiro momento, responderam que a caixa do correio havia sido retirada porque "estava situada em local rodeado de lixo, de difícil acesso para retirada da correspondência", quando a caixa estava em uma avenida central, sem qualquer problema de acesso.
 
Típica resposta de funcionário preguiçoso e presunçoso que subestima a inteligência e despreza o cidadão.  Naturalmente, presumiu que a caixa estivesse em uma favela...
 
Depois, recebi uma resposta onde alegam ter uma política de distância entre caixas.
 
Bullshit!  Retiraram outras caixas mais distantes também.  Na Av. Laudo onde não existe agência, retiraram a única caixa da avenida...
 
No nosso caso, não foi levado em conta, por exemplo, a topografia do bairro, onde o deslocamento até a caixa postal para a frente da franquia nos obriga a subir uma íngreme ladeira para chegar até o local.
 
E quanto à sub-utilização, é pura conversa mole pra boi dormir. O coitado do Brito (meu carteiro) é quem tinha a chave da caixa e nada lhe custava abri-la e retirar a correspondência. Ele passa por ela todos os dias.  Logo, do ponto de vista de utilização, uma vez instalada a caixa não gerava qualquer custo adicional. Pelo contrário, sua remoção implica em prejuízo para o erário público, já que o hardware será descartado como lixo.
 
Esta é a medida do respeito que os Correios têm com o dinheiro público. A mesma medida que têm para o atendimento ao cliente.
 
Fui ao site dos Correios (www.correios.com.br) e cliquei em Institucional.  Quase morri de tanto rir ao clicar em Conheça os Correios: (os destaques em vermelho são meus)
 
MISSÃO 
Fornecer soluções acessíveis e confiáveis para conectar pessoas, instituições e negócios, no Brasil e no mundo.
VISÃO:
Ser uma empresa de classe mundial. (hilário!)
VALORES:
A Empresa valoriza:

A. Ética
B. Meritocracia
C. Respeito às Pessoas 
D. Compromisso com o Cliente 
E
. Sustentabilidade
 
Infelizmente, o problema de fundo não tem solução, visto que surge devido à deterioração da qualidade do serviço dos correios.
 
Diante da dura realidade de ter que enfrentar a Fedex, Ups e outros serviços, o Correio transformou-se em uma empresa com fins lucrativos, visando melhorar o atendimento ao cidadão. Não conseguiu nem uma coisa nem outra.  Dá prejuízo e atende mal os seus clientes.
 
Eles estão em "denial".  Acreditam piamente que são eficientes. Acreditam que ainda gozam da confiança do público.
 
Com a abertura de franquias (prova cabal da incompetência deles enquanto serviço público) que têm somente a bottom line como meta e não a excelência em serviço, são obrigados a canalizar para estas franquias todos os serviços, para garantir suas rentabilidades.
 
Assim, reduzem a impressão de selos adesivos, por exemplo, para que os cidadãos sejam obrigados a se servir das franquias.  Provavelmente, a margem de lucro sobre selos deve ser pequena, e as franquias simplesmente se recusam a vendê-los aos clientes. Dessa forma, aumentam a quantidade de correspondência e na medição final poderão receber uma compensação maior.
 
Por via das dúvidas, procurei duas outras franquias do correio, onde recebi a mesma resposta.  Logo, não se trata de um caso isolado, mas de uma política corporativa.
 
No caso em tela, o correio declara que a franquia estava de posse de selos adesivos.  A franquia recusou-se a vendê-los, então?   Se for esse o caso, não terá ela vulnerado alguma cláusula contratual?  ou o correio simplesmente está mentindo.
 
E, em minha opinião, esta última hipótese é a mais provável. E a retirada da caixa postal, por exemplo, faz parte da estratégia de canalização de negócios a que me referi acima.
 
E, last but not least, a cobrança de 50% do valor da mercadoria a título de frete...  isso tem previsão no código penal. Mais especificamente, no Artigo 155.
 
A lojinha do correio, que oferece apenas UM TIPO de selo adesivo (o do Chico Xavier) que custa 31,50 a folha e é despachado em uma caixa de sedex por 15,00!
 
A mercadoria deveria ser entregue sem custo.  Ou poderia ser entregue somente no envelope kraft como correspondência normal.
 
Ou seja, o Correio não tem confiança nos Correios e, por isso, manda a mercadoria registrada, pois vai que o Correio extravia a correspondência.  Só no Kafka a gente encontra isso...
 
E, ainda por cima, há o consumo de papel adicional, pois além do envelope de papel kraft onde foi colocada a folha de selos, o mesmo envelope foi colocado em uma caixa de papelão. Onera o ambiente, onera o carteiro, onera o cliente...
 
Muito bonito, não!?  Seu Custódio...
 
É o fim da picada...
 
Mas, estou encaminhando o assunto à Presidência dos correios e ao meu deputado e senador para que o assunto não seja simplesmente engavetado.
 
Grande Abraço
 
José Antonio Filardo
 
 
----- Original Message -----
Sent: Friday, July 30, 2010 7:49 PM
Subject: ENC: Resposta: José Antonio Filardo - 19/7

 

 

O problema foi solucionado?

 

Atenciosamente,

 

Tatiane Matheus

repórter - O Estado de S. Paulo

11 - 3856-2113

tatiane.matheus@grupoestado.com.br

 

Coluna São Paulo Reclama* - queixas de órgãos públicos ou problemas relacionados à cidade

spreclama.estado@grupoestado.com.br - tel.: 11- 3856-2316

 

Coluna Seus Direitos* - reclamações relacionadas à Defesa do Consumidor

consumidor.estado@grupoestado.com.br- tel.: 11- 3856-5162

 

*As cartas devem ser enviadas com nome, endereço, RG e telefone e podem ser resumidas.

 

 

amplie-

 

 

 

De: Sao Paulo Reclama
Enviada em: quinta-feira, 29 de julho de 2010 21:16
Para: jfilardo@uol.com.br
Assunto: Resposta: José Antonio Filardo - 19/7
Prioridade: Alta

 

 

 

De: Adriana de Cassia Navarro Manfredini - Correios
Enviada em: quinta-feira, 29 de julho de 2010 17:55
Para: Sao Paulo Reclama
Assunto: RES: Coluna São Paulo Reclama: José Antonio Filardo - 19/7
Prioridade: Alta

 

Prezados, encaminhamos anexa resposta ao questionamento do leitor José Antonio Filardo.

Solicitamos a gentileza de confirmar o recebimento.

 

Atte.

Adriana Manfredini

Jornalista

 

Assessoria de Comunicação

 

 

 


Obrigada por escrever e disponha do seu Estadão

São Paulo Reclama e Seus Direitos

Central de Atendimento ao Leitor e Defesa do Cidadão

O ESTADO DE S. PAULO

" Antes de imprimir pense em sua responsabilidade e compromisso com o MEIO AMBIENTE!"

 

 

De: Jose Filardo [mailto:jfilardo@uol.com.br]
Enviada em: sábado, 17 de julho de 2010 12:55
Para: Sao Paulo Reclama
Cc: centralvendas@correios.com.br
Assunto: QUEDA DE QUALIDADE NOS SERVIÇOS DOS CORREIOS

 

Era uma vez uma instituição que gozava da reputação de confiável. Essa instituição se chamava Correio Brasileiro.

 

Moro no CEP 05594-050.  Há uma agência franqueada no cep 05593-00, no início da avenida, onde é impossível estacionar e as vagas da franquia, além de serem poucas, são irregulares, sobre a calçada e bloqueando a passagem dos pedestres.

 

Costumava existir caixas de correio para depósito de correspondência que era regularmente retirada pelo correio e encaminhada aos destinatários.  E existia uma logo ali na Av. Comendador Alberto Bonfiglioli, altura do no. 750. Foi retirada.  Agora temos que ir até à franquia para postarmos cartas.

 

E descobri porque.  O correio não imprime mais selos. Não imprimindo mais selos, os clientes não têm como selar suas cartas e, em seguida, depositá-las nas caixas de correio.  E a filatelia, que é uma manifestação cultural importante, morre pouco a pouco de inanição.

 

Os dirigentes do Correio demonstram assim quão ignorantes e incultos eles são.

 

O máximo que têm é uma edição comemorativa do nascimento do Chico Xavier que custa 31,50 a folha e que somente pode ser encontrada no site do Correio.

 

Só que o custo do frete para entrega do produto que custa 31,50 é de R$ 15,00, ou seja  50% do valor do produto. E não oferecem a alternativa de envio por correspondência comum.  Você é explorado e esfolado   por não ter alternativa.

 

Nos Coitados Unidos, o cidadão pode até imprimir os selos em sua casa.  Mas não com os "competentes" dirigentes de nosso serviços postal.  Estão na idade da pedra.

 

É lamentável esta miopia cultural e o descaso para com os usuários dos serviços desta, antes tão prestigiosa, instituição.

 

José Antonio Filardo

- São Paulo

tel

oabsp

 

 

....´....

.

sábado, 24 de julho de 2010

Baú da Lembrança

Outro dia, sem mais nem menos, veio-me à mente este poema de Vinícius de Moraes. Lembrei-me claramente e experimentei todas as emoções que me invadiam no dia em que embarquei para São Paulo definitivamente, deixando para trás a vida que levara até aquele dia em Caconde.


 

O ônibus saia bem cedo, por volta de 5:30 hs da manhã e a aurora ocorria logo que ele passava a barragem, no caminho de Sapecado.


 

Acho que foi o nascer do sol que induziu a lembrança naquele momento e também agora.


 

Coisas guardadas no baú da lembrança...


 


 

Balada negra

Éramos meu pai e eu
E um negro, negro cavalo 
Ele montado na sela,
Eu na garupa enganchado.
Quando? eu nem sabia ler
Por quê? saber não me foi dado
Só sei que era o alto da serra
Nas cercanias de Barra.
Ao negro corpo paterno
Eu vinha muito abraçado
Enquanto o cavalo lerdo
Negramente caminhava.
Meus olhos escancarados
De medo e negra friagem
Eram buracos na treva
Totalmente impenetrável.
Às vezes sem dizer nada
O grupo eqüestre estacava
E havia um negro silêncio
Seguido de outros mais vastos.
O animal apavorado
Fremia as ancas molhadas
Do negro orvalho pendente
De negras, negras ramadas.
Eu ausente de mim mesmo
Pelo negrume em que estava
Recitava padre-nossos
Exorcizando os fantasmas.
As mãos da brisa silvestre
Vinham de luto enluvadas 
Acarinhar-me os cabelos
Que se me punham eriçados.
As estrelas nessa noite
Dormiam num negro claustro
E a lua morta jazia
Envolta em negra mortalha.
Os pássaros da desgraça
Negros no escuro piavam
E a floresta crepitava
De um negror irremediável.
As vozes que me falavam
Eram vozes sepulcrais
E o corpo a que eu me abraçava
Era o de um morto a cavalo.
O cavalo era um fantasma
Condenado a caminhar
No negro bojo da noite
Sem destino e a nunca mais.
Era eu o negro infante
Condenado ao eterno báratro
Para expiar por todo o sempre
Os meus pecados da carne.
Uma coorte de padres
Para a treva me apontava
Murmurando vade-retros
Soletrando breviários.
Ah, que pavor negregado
Ah, que angústia desvairada
Naquele túnel sem termo
Cavalgando sem cavalo!

Foi quando meu pai me disse:
– Vem nascendo a madrugada…
E eu embora não a visse
Pressenti-a nas palavras
De meu pai ressuscitado
Pela luz da realidade.

E assim foi. Logo na mata
O seu rosa imponderável
Aos poucos se insinuava
Revelando coisas mágicas.
A sombra se desfazendo
Em entretons de cinza e opala
Abria um claro na treva
Para o mundo vegetal.
O cavalo pôs-se esperto
Como um cavalo de fato
Trotando de rédea curta
Pela úmida picada.
Ah, que doçura dolente
Naquela aurora raiada
Meu pai montando na frente
Eu na garupa enganchado!
Apertei-o fortemente
Cheio de amor e cansaço
Enquanto o bosque se abria
Sobre o luminoso vale...
E assim fui-me ao sono, certo
De que meu pai estava perto
E a manhã se anunciava.
Hoje que conheço a aurora
E sei onde caminhar
Hoje sem medo da treva
Sem medo de não me achar
Hoje que morto meu pai
Não tenho em quem me apoiar
Ah, quantas vezes com ele
Vou ao túmulo deitar
E ficamos cara a cara
Na mais doce intimidade
Certos que a morte não leva:
Certos de que toda treva
Tem a sua madrugada.

Vinícius de Moraes